Domingo, 4 de Abril de 2010

PedrAmarela na Rota das Aldeias Históricas Parte II

Sábado – “Rota da Idanha” (GR 12 – E7)

Idanha-a-Nova/Termas de Monfortinho

75 km/1500 m de desnível acumulado

    

  

   Após um pequeno-almoço fornecido pelo JC, confeccionado com géneros levados de casa, aos quais se juntou o pão local comprado no dia (o homem estraga-nos com mimos), começámos a preparar a logística para o primeiro dia. O facto do ponto de partida e de chegada não serem coincidentes (percurso em linha), obrigou-nos a uma operação algo aparatosa.

   Assim, o RV e o Vlad, arrancaram logo com o seu carro para o local de partida - Idanha-a-Nova. Enquanto isso, eu e o JC, no outro carro, juntamente com um amigo local do Jorge, o Daniel Santos, seguimos para o local de chegada – Termas de Monfortinho. Aí deixámos o carro do Daniel e dirigimo-nos os três, no carro do JC, para Idanha. O Daniel voltaria depois às termas no carro do JC, que aí deixaria, recuperaria o seu carro e iria à sua vida. No final da volta, regressariamos os quatro a Penha Garcia no carro do JC. Quando fossemos jantar, passaríamos por Idanha para recuperar o carro do RV. Confusos? Confesso que inicialmente também fiquei.

   Com todas estas voltas preparatórias, já passava das 9h30 quando começámos a pedalar. Mas não havia pressas. A volta era turística e tínhamos o dia todo por nossa conta. O tempo, primaveril, esteve óptimo para pedalar e assim se manteve todo o fim-de-semana.

 

   PM, Vlad, RV e JC, frente à C.M. de Idanha-a-Nova, prontos para arrancar

   Arrancámos de Idanha pelos caminhos que tínhamos feito em 2008 na Maratona, mas rapidamente começámos a entrar em trilhos diferentes. Estes tinham tanto de bonito como de difícil, com calçada molhada a descer entre muros de pedra, a alternar com boas rampas a subir.

   Aproximação ao paredão da Barragem Marechal Carmona

 

     Barragem Marechal Carmona

   Chegámos à Barragem Marechal Carmona por um trilho que termina abaixo do paredão da mesma. Esta estava completamente cheia e a descarregar. O cenário era lindíssimo, com os campos envolventes todos verdes e cobertos de flores. Passámos junto do parque de campismo e seguimos até ao Santuário da Sra. do Almortão, relativamente ao qual vos deixo estes singelos versos do Cancioneiro Popular, que demonstram bem estarmos em plena região raiana.

 

Senhora do

Almortão

 

Minha tão

linda Arraiana

 

Voltai as costas

a Castela

 

Não queirais

ser Castelhana?

 

   Não se via vivalma. A calma era total. Aliás uma das coisas que nos surpreendeu ao longo destes dois dias foi a quase completa ausência da marca humana. Não se encontram pessoas fora das raras localidades. Nem um montesinho de entulho, nem um frigorífico, nem um pára-choques, tão usuais por outras paragens, nada. Só se vêm belas paisagens, campos floridos, ribeiras e linhas de água, passarada variada, uma ou outra lebre que passa a correr, umas vacas aqui, umas ovelhas acolá, algumas ruínas de antigas quintas e a presença constante de Monsanto no horizonte. A pedalada só é interrompida por alguma cancela que é necessário abrir e voltar a fechar, ou pelas fotos que vamos tirando.

   Alcafozes - Recinto da festa anual em devoção de N. Sra. do Loreto, padroeira da aviação

 

   Após Alcafozes, onde fomos humilhados por um puto com uma bike de supermercado, que levava outro puto à pendura sentado no quadro e que dava as curvas a derrapar sobre a calçada molhada, chegámos a Idanha-a-Velha, por onde entrámos cruzando a ponte romana de quatro vãos, sobre o rio Ponsul.

    Entrando em Idanha-a-Velha pela ponte romana de 4 vãos, sobre o rio Ponsul

   Idanha-a-Velha é daquelas pérolas incontornáveis do Portugal profundo. É uma pequena aldeia habitada por menos de vinte pessoas, de casario granítico e com um conjunto notável de ruínas de várias épocas. Antiga cidade romana do século I a.c. chamada Civitas Igaeditanorum, conheceu momentos de grande desenvolvimento no período visigótico, sob o nome de Egitânea. Aqui nos detivemos algum tempo, observando estes interessantes vestígios arqueológicos.

   Centro de Idanha-a-Velha em hora de ponta

   Confraternizando com alguns dos habitantes locais

   Miradouro Virtual. O antigo e o moderno convivem lado a lado

   Centro Epigráfico, onde estão expostas uma série de pedras gravadas

Pedra com inscrição referente a um tal Marco que se terá baldado a um passeio no séc. I a.c.

   Coisas resistentes: caixões de pedra e uma single-speed

   Torre dos Templários, assente no podium de um templo romano

    Vista a partir de Idanha-a-Velha

   A saída de Idanha-a-Velha não foi nada fácil. As pernas tinham arrefecido com a paragem e o terreno empinava um bocado. Apenas as paisagens, sempre agradáveis, atenuavam as dores.

   Campos floridos à saida de Idanha-a-Velha

   A partir daqui começamos a rumar a Monsanto, o nosso próximo objectivo. A ascensão a Monsanto é outro dos momentos altos desta volta. É feita por calçadas, por entre muros de pedra e sob vegetação de sobreiro, através da qual se vai vislumbrando a penedia que tínhamos de subir. O silêncio só era interrompido pelo ladrar de alguns cães à nossa passagem. A determinada altura, somos recordados que esta rota é pedestre. Temos de transpor umas penhas enormes com as bikes às costas, numa operação algo acrobática. Seguiu-se uma longa e difícil calçada (pela irregularidade das suas pedras), que nos obrigou a alternar o pedalar com o empurrar, até finalmente entrarmos na povoação. Rampa após rampa, lá subimos ao castelo, com uma curta paragem pelo meio, para o JC marcar o jantar no restaurante de um conhecido. É sempre bom visitar esta aldeia pitoresca que já foi considerada a mais portuguesa de Portugal. Não nos demorámos muito no alto, pois o vento estava fresco.

   Monsanto é já após a próxima rampa... 

    Vamos a isto!

   Está cada vez mais perto

    Vão-se tirando as medidas à subida final

    Alguns singles

    Começam as lajes...

   ...e os degraus

    Paisagem sempre espetacular

    Umas zonas mais cicláveis...

   ...outras, nem por isso

    A verdadeira calçada

    Finalmente entramos

    Mas continua a subir

   E segue

    Irrrraaa!!

    Vlad a repor as energias com uma sandes de iscas

   Conversando com as gentes da terra

    Descendo do Castelo

   A descida de Monsanto foi feita novamente por calçada, com vistas espectaculares para as bandas de Penha Garcia, para onde nos dirigimos, após passarmos no Santuário da Sra. da Azenha.

    Vista a partir da calçada que desce de Monsanto. Ao fundo avista-se Penha Garcia

    Descendo a calçada de Monsanto sem suspensão. AAARGH!!!

    Uma ponte de pedra

    Outra ponte mais moderna

    RV a puxar pela tracção dos 2.25

    Entrada em Penha Garcia

   O percurso entre Penha Garcia e Monfortinho foi bastante agradável. Sobe e desce constante, com o atravessamento de várias linhas de água, com passagem pelas Pedras Ninhas e pelos olivais da família Caiado.

    Penha Garcia em fundo

    Uma das muitas ruinas de pedra

    Sobe e desce até Monfortinho

 

   A caminho de Monfortinho, JC vai inspeccionando as propriedades agrícolas da família

   Chegados às termas, concluímos que seria difícil colocar os quatro bttistas e as respectivas montadas, num carro com dois suportes. Eu e o RV decidimos então voltar para Penha Garcia a pedalar por estrada, enquanto o JC e o Vlad regressavam de carro. Posso dizer que estes catorze quilómetros de estrada constituíram uma experiência singlespídica nova e muito interessante. É que onze deles foram a subir ligeiramente e nunca tinha pedalado durante tanto tempo seguido, sem qualquer interrupção, com a elevada rotação de pedais a que o 32x18 me obrigou. Grande treino de cadência.

   Banhos tomados, o nosso anfitrião, que nunca nos deixou faltar nada, brinda-nos com um lanchinho composto por pão, enchidos, queijo, batata frita e bebidas variadas.

   Completamente empaturrados, passámos por Idanha-a-Nova para resgatar o carro do RV e seguimos novamente para Monsanto, onde jantaríamos. O jantar decorreu no restaurante “Petiscos e Granitos”, que está construído no meio de umas enormes pedras graníticas. Enquanto assistíamos ao Benfica x Braga, ainda arranjámos espaço para aviar umas entradas de ovos verdes e de espargos, às quais se seguiram umas especialidades de porco preto e umas migas. Para sobremesa, papas de carolo e arroz doce. 

 

   PM


publicado por pedramarela às 23:51
link do post | comentar | favorito
|

.pedrAmarela BTT

.pesquisar

 

.Maio 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30


.posts recentes

. Novas Camisolas num dia d...

. 25 de Abril à Chuva

. 10.000 km em Single-Speed...

. SSintra, 26-02-2012

. Sintra - 17-02-2012

. Arrábida - 10-02-2012

. Moinhos da Raimonda - 05-...

. Arruda/Montejunto - 26-01...

. Malveira/Arruda/Sobral - ...

. Malveira/Santa Cruz - 13-...

.arquivos

. Maio 2012

. Abril 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Junho 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

.tags

. todas as tags

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds