Sábado, 17 de Abril de 2010

Raid FPCUB - Troia - Vila do Bispo 17/18 Abril

 
Estou de volta e com mais 255km nas pernas, pouco mais de 3000m de acumulado e com a pele bem hidratada de H2O
Este ano era para ter feito o Serpa 160, mas como não consegui ter o dia de véspera de férias, alterei os planos e fui para o Raid FPCUB.
Assim, como a partida era de Tróia (perto de casa) sempre consegui dormir umas estonteantes 3h, se tivesse ido a Serpa tinha que fazer directa, o que
seria impensável tento em conta o esforço que 160km exigiam, tendo por isso desistido.

Este Raid já fazia parte dos meus planos desde 2008, mas ainda não se tinha proporcionado e por isso só este ano é que alinhei - Obrigado ao Nuno punk por ter aceite o desafio, noutro ano não fui por não ter conseguido parceiro, ele convidou o Bruno Malheiro (um purista de travessias em autonomia e adepto de eventos 24h, onde participa na maior parte dos casos "a solo")

As previsões meteorológicas não abonavam a nosso favor...
Despertador às 5:30 cumpriu a função e após tudo carregado sai de casa ainda de noite às 6:30 com luzes e na companhia de chuviscos, com 1 mochila de trekking com 70l de capacidade quase cheia às costas  (com o necessário para pernoitar em Odemira e roupa para os 2 dias), pensava para comigo "Grande sarilho em que me meti, com este tempo vai ser bonito".

Na baixa de Palmela os chuviscos passam a chuva forte e tive que recorrer ao impermeável, mais um pensamento "Ainda nem começou e já vou regado desta maneira".
Em Setúbal compro o bilhete do ferry às 7:05 e vejo logo o Nuno e o seu amigo Bruno Malheiro a apressarem-se para irem também comprar o bilhete.
7:30 entramos no barco e lá vamos nós para Troia.
Já em Troia, o pessoal da organização aguarda por nós (tendo pernoitado em Tróia), com o camião que iria transportar as bagagens à nossa espera.
Segue-se 1 briefing de 5min com alguns detalhes a reter e foi dado ok para partir.

O briefing

 

Dia 1
140km raid + 15km de casa a Setubal / Chuva cerca de 2-3h em aguaceiros (irrantantes, pois foi um constante tira-mete impermeavel)/ Vento sempre de Sul, piso algo pastoso.
Passagem pela Serra de Grandola (excelentes trilhos), Santiago do Cacém, Serra do Cercal pelo lado poente, Sonega (onde comemos 2 bifanas e coca-cola) e Odemira com 140km e 1600m acumulado.

 

A caminho da serra de Grandola
Ainda estavamos a ter sorte com tempo

Nuno e Bruno

Já na Serra de Grandola

Começa uma das subidas dos 2 barrancos


O Alentejo está muito bonito, mas infelizmente não demorou 5min até cair 1chuvada de picaretas num descampado

 
Pernoita no pavilhão desportivo, a ouvir a chuva (picaretas) a testarem a resistência do telhado do pavilhão.
Pensava para comigo "amanhã vai ser bonito vai..."
O pavilhão

Dia 2
Alvorada  às 6:45
Partida às 08:00 do centro de Odemira (onde foi feito o briefing) incrivelmente ainda não estava a chuver, mas não tardou...
1ªs sensações do 2º dia:
Corpo ainda algo "amassado".
Começo relativamente bem com uma pulsação estável e sem grande esforço até que ao fim de uns 40min começa o primeiro aguaceiro/dilúvio/picaretas de água gelada, que me faz desanimar por completo...

Tinha optado por levar as meias sealskin e as capas impermeáveis dos sapatos, mas nada funcionou e pelo contrário, ainda prejudicaram e bem!
A água entrou para dentro das meias e nunca mais saiu, água gelada nos pés e sem hipótese de secar, pois o escasso sol não passava pelas capas...
Resultado pés gelados várias horas...

Posição para estar sentado já era difícil de encontrar, e cerca do km40 o piso torna-se muito pastoso e a chuva volta à carga, desanimado ao "quadrado".
Enquanto eu espero que o Nuno coloque e aperte o impermeável (estava difícil) o Bruno tinha seguido com 2 amigos de outra equipa para não ficar à espera parado, à chuva, nunca o conseguimos apanhar até ao fim.
Pelo caminho vê-se pessoal do cicloturismo a ser recolhido por carrinhas. Passeio que se realizou em paralelo ao Raid da FPCUB.

Começo a dizer ao Nuno que não estou nada confiante que naquelas condições vá fazer mais 70km, mas ele lá me vai convencendo e vamos seguindo, levando com a chuva e vento de frente... Lembro-me de olhar 20x para o conta-km e não havia maneira de chegar aos 50km "que desespero".

Até aos 50km foi sempre a sofrer em terreno super-pastoso, lama, areia, mas calado lá vou sofrendo... A pulsação não passava das 130-135 quando normalmente costumo andar acima das 160. A "máquina" não estava a reagir...
Atravessamos Odeceixe e na subida ingreme final furo o pneu de trás com 1 vidro fininho que se espetou no pneu. Troco a camara-de-ar e lá seguimos para Maria-Vinagre e Rogil.

Em Rogil estávamos novamente a passar a estrada vicentina principal para o Algarve e mais uma vez a tentação de me fazer à meta pelo alcatrão era grande, novamente o Nuno convenceu-me a seguir.
Lá seguimos pelo track, que por sorte era por alcatrão até Aljezur, mas por uma estrada secundária.

Em Aljezur com 60km percorridos, parámos num café e comemos 1 bifana e 1 cola cada 1, eu bebo 1 café o Nuno não.
A saída de Aljezur faz-se através de uma subida em calçada até ao castelo, acompanhada de chuva (para não variar), escorregadia e íngreme, mas fez-se!
No cimo começo a sentir-me melhor e a "máquina" começa a reagir, as pulsações já subiam até aos 160 e sentia-me com força nas pernas.
O Nuno teve um pequeno problema mecânico (partiu 1 dente do prato do meio da pedaleira) que o obrigou a fazer o restante percurso apenas com o prato pequeno e grande.

Eu cada vez a sentir-me melhor começo a puxar e vejo que o Nuno não está a corresponder ao meu ritmo vou abrandando para ele juntar.
O animo está de volta! Voltei a ter força e tudo o que era subidas conseguia pedalar em pé a puxar (a cafeína do café fez milagres). Já estava finalmente com vontade de cumprir o track à risca até ao final.
Pelo km70 encontra-nos 4 bttistas, que representavam o F.C. Quintajense (da minha zona), tinham no total 3 GPS, mas carregaram mal o track e não conseguiam ver o restante percurso.
Ofereci-me para os guiar no resto do caminho, apesar de notar que eles estavam a andar num ritmo mais lento do que eu estava a querer impor.
O Nuno aceitou de bom grado manter o ritmo mais lento, pois também já estava em gestão de esforço.
Fizemos ainda 2 subidas puxadas até ao final e numa delas, já no topo fui picado  por 1 abelha no queixo (numa zona em que vários participantes também foram apanhados pelo enxame) fez-me lembrar o episódio da Via-Algarviana.
Na descida para a Praia do Amado, havia um troço com 300m de lama barrenta, que se agarrava completamente à bicicleta.

RV Praia do Amado

 

No final da súbida da Praia do Amado



Pessoal do Quintajense

Nuno - punk a terminar a uma das ultimas súbidas do dia

A 5km do fim novamente chuva para terminar bem "regado".
Já se via o fim para breve :) e também a nuvem que nos deu a ultima "rega"

Em vila do Bispo, com a chuva só me lembrei de tirar 1 foto do Autocarro e saiu assim com um estilo Van Gogh :)


De salientar que o pessoal que vai para este Raid, que não é controlado com marcações, por incrível que pareça quase ninguém atalhou, apesar das adversidades.
É um desafio pessoal e todos queriam chegar ao fim de consciência tranquila, sem "batotas",  e com sentido de dever cumprido!
Houve alguns que só fizeram 1 dia, outros metade do percurso, etc... mas a grande maioria fez todo o percurso "by-the-book".

As paisagens foram interessantes, especialmente na zona da serra de Grândola, Zambujeira do Mar, Odeceixe, Aljezur, Carrapateira e Praia do Amado, de resto o percurso não foi tão interessante como tinha previsto, talvez a chuva me tivesse feito ir muito tempo com a cabeça baixa e falhado alguns locais bonitos.
Não deixa de ser espectacular num País que cada vez mais está vedado e urbanizado, ser possível fazer uma travessia de Palmela a Vila do Bispo de bicicleta maioritáriamente por trilhos.
Possivelmente irei repetir, mas só com previsões Meteo mais promissoras :)
 

 

Parabéns à organização, que nos colocou ao dispor toda a logística e pessoal necessários para um evento desta categoria!
Enorme simpatia dos membros da organização! Pessoal do mais porreiro que tenho visto e com competências mais que provadas nestas lides.


P.S. Volto a afirmar que é preferível andar 1 semana seguida no verão com 40º que 2 dias à chuva e vento!!!
 
Até uma próxima,
RV


publicado por pedramarela às 11:14
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