Segunda-feira, 14 de Junho de 2010

Volta Lili Caneças, Versão Carraçaria 06-06-10

O e-mail do Rui Algarvio a convocar as hostes para a voltinha de Domingo rezava o seguinte: “Pessoal, depois de um Inverno chuvoso, uma Primavera com os pastos bem altos. Aqui fica o desafio, para quem quiser passar uma manhã rodeado de carraças, percorrer 40km de trilhos técnicos, sinuosos e com 1300 de acumulado. Próximo Domingo na igreja de Caneças, pelas 8h15”. Sem dúvida palavras “animadoras”. Mas como a malta quer é pedalar, a zona é interessante e o Rui ainda prometia algumas surpresas, lá resolvi comparecer.

Como de costuma, arranquei de casa a pedalar e de single-speed. Ainda tentei aliciar os outros possuidores de bikes sem mudanças a também levarem as deles, mas, também como de costume, fiquei a falar para o boneco. Ah e tal, que o terreno era duro, que tinha muita subida, enfim, a mesma ladainha de sempre.

E realmente, já fiz esta voltinha duas vezes e posso confirmar que não é pêra doce. O piso é bastante agreste e algumas rampas são bem difíceis (para não dizer quase impossíveis) de fazer sem mudanças (ou mesmo com).

Após doze quilómetros, maioritariamente em subida e com vento moderado de frente, que me levaram 45 minutos a pedalar, lá cheguei à igreja de Caneças. Estavam presentes o Rui, o Nuno Diniz, o Fernando Godinho, o Marco Messias e o Carlos Pinto (os dois primeiros também tinham vindo a pedalar de casa).

8h30, junto à igreja de Caneças.

Saímos de Caneças logo a subir por um eucaliptal na Serra das Sardinhas, que nos havia também depois de servir de caminho no regresso.

Vamos subindo e descendo, ora por estradão, ora por estrada, em direcção à Serra da Chã. Aqui, nas traseiras de umas casas, pudemos admirar uma “aparição” da Nª Sra. de Fátima, que se encontrava na base de uma enorme cruz luminosa.

Nª Sra. de Fátima nos livre das carraças e da tentação de trazer as SS.

Após o alto de Montemor, perto da povoação com o mesmo nome e do túnel da CREL, começa a primeira variação desta volta. Em vez de nos dirigirmos para A-dos-Cães, seguimos em direcção a A-dos-Calvos, fazendo uma linda, escabrosa e trialeira descida, com passagem perto do Penedo do Gato. A falta de suspensão começou a fazer-se sentir. Mas nada que não se resolvesse com um andamento mais lento ou com um ocasional apear.

"Eh malta, estávamos bem arranjados se tivessemos ido na conversa do PM e trazido as SS, não acham?"

Início de descida técnica, com o Penedo do Gato à esquerda.

Fazemos bailes, casamentos, baptizados...

Chegados a A-dos-Calvos, atravessamos uma ponte sobre a Ribeira de Pinheiro de Loures e entramos na estrada perto do Tojalinho. Umas centenas de metros à frente, saímos directamente para uma mata de sobreiro, que nos fez logo lembrar a saudosa Serra de Grândola.

Pequeno bosque após A-dos-Calvos.

Passada a povoação de Moininhos, aproximamo-nos da subida mais tramada desta volta. Desta vez entrámos nela por um caminho diferente, mas venha o diabo e escolha. Se o anterior era muito inclinado e com gravilha a dificultar a tracção, este era muito inclinado e coberto de calhaus. Piso pouco dado a 32x18 e a forquetas rígidas. Mas parece que a malta das molas e dos desviadores também não se deu muito bem. A parte final voltava ao caminho original e, sem deixar de ser difícil, já tinha um piso mais ciclável.

MM e FG brincando com as pedrinhas.

"Oh Rui, com um bocado de jeito, para a próxima ainda consegues arranjar um caminho pior que este!"

CP no final da subida.

"Isto depois da GR 22, é para meninos!"

Não era só a vista que era boa, o empeno também não era nada mau.

Junto da Quinta da Boa Vista, fazemos uma breve paragem para acalmar os pulmões e comer qualquer coisita e continuamos a subir, passando pela povoação de Bolores, até ao parque eólico de Migarrinhos.

MM à saída de Bolores.

1ª eólica.

Monte Funchal ao fundo.

Parque eólico de Migarrinhos.

Passadas as eólicas, descemos até à base da Serra de Monfirre. É uma zona mais fechada, com eucalipto e outra vegetação. A subida desta serra começou com umas pequenas rampas técnicas e continuou depois com um declive suave, sempre no meio de abundante arvoredo. Saimos da serra com uma descida que, após Covas de Ferro, era bem manhosa, com regos, pedras, alguma água à mistura e que nos levou até Monfirre.

Pequena rampa técnica.

Serra de Monfirre.

Atravessada a estrada que liga a Negrais, entramos num vale, do qual saímos, após atravessarmos a ribeira do Rogel, por mais uma subida tramada e técnica. Seguiu-se uma zona de planalto em campo aberto, na qual passamos perto de S. Estevão da Galés.

Vale por onde corre a Ribeira do Rogel.

Reagrupamento após a subida.

Zona de planalto.

Descemos até à estrada municipal 539, que atravessamos, e vemo-nos a pedalar em cima da ribeira da Alagoa (felizmente seca neste troço pedregoso). Desviamo-nos ligeiramente do leito da ribeira, para um trilho cheio de vegetação.

Cá estávamos no agora denominado trilho das carraças. Este seguia ao lado da ribeira e estava coberto por ervas altas, onde, emboscadas, aguardavam a nossa passagem as ditas cujas. E não faltou muito para ser necessário a primeira paragem para as catar. Ninguém escapou ao ataque. Estavam nas pernas, nos braços, em todas as partes com que roçássemos na densa vegetação que cresceu após este Inverno chuvoso. Só mesmo o BTT para nos proporcionar um contacto tão íntimo com a fauna local. 

Esta paragem foi também aproveitada para novo reforço alimentar (nosso e das carraças).

Enquanto nos alimentávamos ...

... iamos também servindo de alimento.

Com algumas paragens pelo meio para nos catarmos, continuamos a seguir o trilho, que diga-se de passagem é bastante ermo e bonito, mas desta vez com vontade de sair dali o mais rapidamente possível.

"Fujem, quelas andem aí".

Panorâmica do trilho das carraças.

Finalmente, após transpormos novamente a ribeira, já relativamente perto da Serra do Funchal, deixamos para trás os singles e entramos de novo em caminhos mais largos. Fazemos uma última inspecção ao corpinho e dirigimo-nos para a Godinheira.

Estávamos agora em terreno já bem conhecido, das nossas habituais voltinhas a partir da Serra da Carregueira.

Passamos por Sta. Eulália, pela rua do Poço do Musgo e, após a pedreira, entramos num dos singles mais característicos desta volta. É um trilho pedregoso, que segue pelo meio de um denso carrascal e que nos conduzirá, após uma subida final, até ao monte Rebolo. Do alto deste monte tem-se uma ampla vista para o Vale da Calada e para a Serra de Sintra.

ND no trilho após a pedreira de Sta. Eulália.

CP apresentou-se em grande forma neste passeio.

MM "dá" uma mãozinha ao tractor. Monte Rebolo à esquerda. Vale da Calada e Serra de Sintra à direita.

Subindo o Rebolo, em direcção a Almargem.

Descido o Rebolo, atravessamos Almargem do Bispo, da qual saímos pelos estradões ao longo dos quais está implantado mais um parque eólico. Passamos junto ao parque de campismo de Almornos e seguimos por estrada até Dª Maria.

A parte final da volta faz-se descendo o eucaliptal que tínhamos subido no início. Passamos ainda por um dos arcos do aqueduto e voltamos a Caneças.

Eu o Nuno e o Rui ainda tivemos de voltar para casa a pedalar. Mas, pelo menos para mim, a coisa agora era mais fácil, já que a tendência era mais de descida.

Acabei por fazer 65 km, com 1500 m de acumulado de subidas.

Mais uma vez um agradecimento ao Rui por desbravar e partilhar connosco estes duros mas interessantes trilhos. Para a próxima, solicitamos é que proceda à prévia descarracização dos mesmos.

"Cheguem-se para lá moços, que ainda me enchem de carraças a roupa lavada!!!"

 

PM

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publicado por pedramarela às 10:16
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