Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010

Volta Saloia Pelos Meandros do Lizandro 26/Set./10

     No passado Domingo, 26 de Setembro, resolvemos repetir a voltinha por nós chamada “do Lizandro”, que, partindo de Godigana, faz uma incursão até à foz desse rio, cujo percurso sinuoso seguimos depois, voltando ao ponto de partida.

     É uma volta para fazer com tempo seco, já que implica várias travessias de ribeiras a vau. Para além disso, com tempo chuvoso, os terrenos atravessados facilmente se transformam em enormes lamaçais, que, com a passagem frequente de veículos todo-o-terreno nalguns troços, ficam praticamente intransponíveis para as bikes.

     O tempo seco deste início de Outono era pois uma boa oportunidade de retornar a estes trilhos, nos quais a maioria de nós já não pedalava há exactamente um ano (e para alguns foi mesmo uma estreia).

     Refira-se que esta volta se revestiu de algumas particularidades a assinalar. A primeira consiste no facto de termos reunido 11 marmelos a pedalar, o que nos tempos que correm é notável. Estiveram presentes 8 “Pedras” (FG, PM, JC, MR, MA, RA, ND e Jepas) e 3 convidados (O Luís e o Rui, já nossos conhecidos, e o Carlos, amigo do Jepas e do Nuno). A segunda foi a presença de 3 single-speeds. Estranhamente, certamente após grande ponderação, o FG e o RA lá resolveram tirar o pó às transmissões 32x18 e levaram a “Laranjina” e a Sobre a apanhar o ar do campo neste “duríssimo” percurso, juntando-se assim à minha Surly, mais habitué nestas andanças. Finalmente, a terceira, foi o termos levado mais de 5 horas a percorrer cerca de 45 km, com a treta dum desnível acumulado de subidas de 650m. Mas já lá iremos.

     Pouco passava das 8h30, quando arrancámos do nosso local de concentração, junto das bombas de gasolina da Godigana. Os primeiros quilómetros são relativamente pouco interessantes, pois são quase todos planos, feitos em alcatrão e atravessando várias localidades.

Concentração do pessoal. JC vai aquecendo, na estreia da sua nova BEONE Karma ltd.

 Team FórumBTT, cada vez com mais adeptos.

Primeiros trilhos.

Estradões...

...e passagem por povoações.

     No entanto, após Ribeira do Rio de Cões (é mesmo Cões, não é erro ortográfico), numa ligeira subida, que se seguia a uma zona mais técnica que atravessava um pinhal, um dos nossos convidados lá conseguiu animar o pessoal, ao partir a corrente, obrigando assim à primeira de muitas paragens desta volta. Felizmente que estava presente o engenheiro Jepas e a situação foi rapidamente resolvida.

Engarrafamento em zona mais técnica.

Corrente partida.

Como diria o RA, a bike cuja marca é o nome do namorado da Barbie.

Corrente reparada, seguimos caminho.

     Após passarmos pelas povoações de Arneiro dos Marinheiros, Belembre e S. João das Lampas, a coisa começou a ficar um pouco mais interessante, com uma trepidante descida sobre calhau e sobre umas lajes em degraus, que nos levou a passar a Ribeira da Samarra, curso de água que desagua na praia com o mesmo nome.

"Ai que saudades de Monsanto..."

     Passada a ribeira, foi preciso subir bem para sair do vale onde nos tínhamos enfiado. Os pisos manhosos e pedregosos já começavam a puxar pelo cabedal e as vistas já eram mais agradáveis. Aliás, estes vales agrestes e com mau piso, juntamente com as ribeiras, são uma das características desta zona.

O pessoal das singles a ter de subir de pé...

...enquanto os das multi subiam sentadinhos.

     Seguiu-se um dos momentos mais interessantes desta volta, que é a descida da calçada romana e a passagem da ponte, também romana, da Catribana. A calçada já teve melhores dias e exige alguma técnica na sua transposição. A ponte passa sobre a Ribeira das Bolelas, o principal afluente da Ribeira da Samarra. Pelo que entretanto li, este património arqueológico do concelho de Sintra está meio abandonado e carecido de obras urgentes de conservação. Parece que para o avançado estado de degradação em que se encontra a calçada, muito tem contribuído a passagem de veículos de todo o terreno. Mas nós passámos com cuidadinho (pelo menos as bikes com forqueta rígida).

Calçada romana da Catribana.

      A entrada na povoação da Catribana fez-se em subida, a partir da ponte romana. Passámos ainda em Cortesia, perto da Assafora, após a qual começámos a rumar em direcção às arribas da Praia da Vigia. Aqui fizemos nova paragem, para contemplar o mar e tirar algumas fotos. A Ericeira avistava-se já a curta distância.

Já muito perto do mar.

Dirigindo-nos para a falésia.

Foto tirada pelo MA, que mostra o repórter prestes a ser "cuspido" pela sua ss.

O que vale é que a bike é estável.

     Seguimos então para Norte, ao longo da falésia que nos levaria até à Praia de S. Julião, na foz da Ribeira do Falcão. A descida para esta praia obriga a alguns cuidados, inicialmente devido à inclinação e aos regos, depois devido à areia. Junto à Capela de S. Julião aproveitamos para reagrupar, antes de seguir viagem para o nosso grande objectivo do dia, a Praia da Foz do Rio Lizandro.

Ericeira ao longe.

Descida para a praia de S. Julião.

Brincando na areia.

Vista para Sul, a partir da capela de S. Julião.

     Rio Lizandro é o nome que a Ribeira de Cheleiros toma junto à sua foz. Aqui, este curso de água faz uma série de curvas ou meandros que, juntamente com as falésias e com os campos de cultivo, constituem uma paisagem muito interessante e característica. Nova paragem para a foto de grupo e subimos até ao alto da falésia, onde fazemos um espectacular trilho que vai serpenteando ao longo do rio para montante e que nos leva até à estrada nacional que liga Sintra à Ericeira (EN247).

Praia da Foz do Lizandro.

Fotografia do grupo completo.

Voltando a subir a falésia.

Trilho que segue ao longo do alto da falésia.

Meandros do Lizandro.

     Já na estrada, passamos sobre um viaduto para a margem Norte do Lizandro. Deixamos então a estrada, efectuando uma curva de quase 360º à esquerda, passamos debaixo do viaduto e entramos num estradão que volta a seguir paralelo ao rio.

Passagem sob a estrada que liga Sintra à Ericeira.

     O nosso próximo objectivo seria a Capela da Nª Sra. do Ó, perto da Carvoeira. O problema é que as obras de uma ETAR, que se arrastam há alguns anos, obrigam-nos a fazer um desvio e uma bela subida até à Fonte Boa da Brincosa, para depois voltar a descer, pela Fonte do Coxo, agora sim para a Sra. do Ó do Porto, como também é chamada (em tempos antigos o rio era navegável até ali, onde existia um porto com ligação ao mar).

Ó pra ele, todo contente.

Descida pela Fonte do Coxo, até à Sra. do Ó.

Pausa para a merenda.

     Na Sra. do Ó, onde fizemos uma pausa maior para merendar, voltámos a mudar de margem. Entrámos então num longo e plano trilho, com cerca de 8,5 quilómetros, que segue ao longo do rio (ou da ribeira) e que, atravessando campos de cultivo e canaviais, nos levaria até ao Carvalhal. Todo este vale tem uma envolvente marcadamente rural, sendo comuns os campos de cultivo e os motores de rega em plena laboração. Milho, couves, alfaces e abóboras, estão por todo o lado. Os estradões ao longo dos campos cultivados vão alternando com zonas mais fechadas de canaviais, muitas vezes abobadadas por densa vegetação e marcadas por regos profundos feitos por viaturas todo-o-terreno. Terrenos a evitar com tempo de chuva. Fazemos mais duas travessias do rio, uma por ponte e, logo de seguida, outra a vau.

Seguindo ao longo do rio, pelo meio das couves...

...dos canaviais...

...e das alfaces.

Uma das várias travessias.

     Chegados ao Carvalhal, somos brindados com mais duas travessias da ribeira. A primeira, à entrada da povoação, é feita sobre uma espécie de muro com uma falha no meio. A segunda, à saída da povoação, é feita novamente a pedalar em cascalho e água rasa.

Chegando ao Carvalhal.

Saindo do Carvalhal.

     Seguiu-se novo troço ao longo da ribeira, com uma curta mas pedregosa e difícil subida pelo meio, que nos conduziu até à estrada que liga o Carvalhal a Cheleiros e a Almorquim, na qual seguimo cerca de 1200m. Aqui, foi necessária mais uma escala técnica para reparar um furo na roda de trás da ss do FG.

Nuno a "flutuar" sobre os calhaus.

O resto da malta a empurrar sobre os calhaus.

Estrada para Cheleiros.

Engano no caminho a obrigar a uma subida suplementar.

A Laranjina a perder "gás" da roda traseira.

     Feita a substituição da câmara-de-ar, abandonamos a estrada para acompanhar mais um pouco a Ribeira de Cheleiros (e atrvessá-la pela última vez), até à confluência com a Ribeira da Cabrela, um dos seus afluentes e que iremos seguir ao longo do vale com o mesmo nome. Neste ponto estivemos bastante perto da aldeia abandonada de Broas, mas o adiantado da hora fez com que tivéssemos de adiar novamente o retorno à mesma.

Última travessia da Ribeira de Cheleiros.

Seguimos agora ao longo do vale e da ribeira da Cabrela.

     Este Vale da Cabrela está ainda bastante preservado e em estado quase selvagem, proporcionando-nos um longo e bonito trilho (quase sempre largo e rolante mas também com algumas secções de singles mais técnicos) que passa junto à ponte de pedra que faz a ligação para Montelavar. Termina na estrada entre Montelavar e Cabrela, que atravessamos para novo troço ao longo da ribeira, desta vez mais estreito e arborizado.

     Após o chamado Bosque dos Caçadores, atravessamos pela última vez a Ribeira da Cabrela, que deixamos para trás, para passarmos a seguir a Ribeira de Godigana em direcção ao ponto de partida. O acesso a Godigana faz-se através de uma derradeira subida, cuja inclinação e tracção finais são pouco amigas de bicicletas sem desviadores.

"Até que enfim, acabaram-se as ribeiras!"

Início da difícil subida para Godigana.

"Eu sabia que devia ter deixado a ss em casa!"

"Acho que preferia as ribeiras. Sempre eram mais planas"

     Chegámos aos carros já perto das 14h00, o que para um percurso com 45 km e 650m de acumulado, é obra. Oh meus amigos, não habia nexexidade. Este andamento lento foi porém justificado pelas várias paragens destinadas a resolver problemas técnicos, tirar fotos, admirar a paisagem, “dar ao serrote”, atravessar ribeiras, atravessar ribeiras e atravessar ribeiras (acho que o Marco se tinha aguentado bem aqui com o kayack). Mas foi uma volta divertida e uma manhã muito bem passada, que é o que interessa.

     Temos de voltar a pedalar mais nesta zona saloia. Já tenho saudades de ir ao penedo do Lexim, a Broas, a Anços e outros locais onde, há muitos anos, costumávamos pedalar. E porque não uma incursão à Serra do Socorro? Ou a Montejunto? Ou mesmo uma volta ao concelho de Mafra?

 

PM


publicado por pedramarela às 22:02
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