Domingo, 2 de Janeiro de 2011

Cape-Espic Soft - 28/12/2010

 

     O Cape-Espic é uma volta engendrada por pessoal da margem sul e que, basicamente, consiste num percurso circular, com cerca de 100 km, com partida de Palmela e passagem pelo Cabo Espichel. O nome é uma brincadeira com a famosa competição sul-africana, Cape-Epic e com o facto de passar no Cabo Espichel.

     Já fiz esta volta várias vezes e de várias formas. Com grupos grandes e com grupos pequenos. Com partida de Palmela, com partida de Azeitão e com partida da Quinta do Anjo. Em ritmo rápido, sem paragens e em ritmo lento, com ataque às bifanas. De multi-speed e de single-speed. A acabar a tempo de almoçar em casa e a acabar já de noite. Com tempo quente e com tempo fresco. Todas tiveram o seu encanto e acabaram por proporcionar o mesmo, um excelente dia de BTT e um empeno à maneira.

     Desta vez, o Rui V. convidou-nos para uma chamada versão “soft”. Esta corta alguns troços mais técnicos e de progressão mais complicada, de forma a tornar a volta um pouco mais rápida de se fazer.

     Para além do anfitrião e guia (que já não pedalava connosco há mais de seis meses e tem andado mais dado a treinos indoor e a motas), comparecemos apenas eu e o Jorge C. O resto da malta, é a treta do costume. Andam sempre a dizer que temos de ir aqui e ali, mas depois, quando se propõe algo mais puxadote aqui perto, é vê-los a assobiar para o lado.

E foi assim que às 9h00 de terça-feira passada, lá estávamos os dois representantes da margem norte à porta do Rui, na Quinta do Anjo, imbuídos do espírito de missão de o trazer de novo para o “lado luminoso da força” (BTT) e prontos para mais um dia “éspico”.

     As previsões meteorológicas da maioria dos sites consultados apontavam para alguma chuva e vento moderado de Sudeste. Felizmente que o Jorge lá conseguiu arranjar um site que não dava chuva para a Arrábida e no qual decidimos apostar. E realmente foi uma boa escolha, pois acabou por não chover. Da ventania e da humidade é que não nos livrámos.

     Começando então na Quinta do Anjo, seguimos por Cabanas e S. Gonçalo, a partir de onde subimos a Serra de S. Luís, até ao início da chamada “Cai de Costas”. Descemos para o estradão de Vale de Barrios, que nos levou até ao Alto das Necessidades. Passagem pelo parque de campismo de Picheleiros, pelos Casais da Serra e pela estrada dos Casais do Calhariz (a famosa auto-estrada do BTT).

Estradão do Vale de Barrios

Ermida de Nossa Senhora das Necessidades

     Nos Casais de Calhariz deu-se a primeira suavização da volta original. Em vez de fazermos a inclinadíssima subida da pedreira do Risco, seguimos logo directamente para a povoação das Pedreiras, onde ocorreu a segunda suavização. Procurando evitar a descida até Sesimbra pelo trilho do costume, que é algo complicado a nível técnico e tem uma vedação para transpor, dirigimo-nos, por estrada, para Santana e depois para o castelo.

Castelo de Sesimbra à vista

     Partindo do castelo fizemos um single bastante interessante, com alguns desafios técnicos e com uma vista magnífica sobre Sesimbra.

Single que parte do castelo

Sesimbra

Secção mais técnica

     Passado o porto de abrigo, logo abaixo do Forte e do Farol do Cavalo, tem início a maior subida desta volta, com cerca de 2 Km, durante a qual subimos do nível do mar até aos 200m de altitude e que nos conduz até às pedreiras, perto do Zambujal de Cima.

Subindo a partir de Sesimbra

Final da subida

     O ritmo até aqui tinha sido vivo e o percurso de um sobe e desce constante, com o qual não me costumo dar muito bem. Os esticões que os meus companheiros de volta teimavam em dar em cada rampa, também não me estavam a agradar muito. O principal instigador desses esticões era mesmo o homem que quase tinha abandonado o BTT e que, estranhamente, se mostrava fresco como uma alface. Só na subida de Sesimbra, mais ao jeito das que se encontram em Sintra, é que encontrei finalmente o meu ritmo e o nosso guia finalmente se acalmou, deixando-se ficar ligeiramente para trás.

     Chegados ao Zambujal, seguimos um pouco pela estrada que liga ao Cabo Espichel (EN 379), da qual saímos para um estradão que passa pela Azóia e continua até ao farol.

Rumo à Azóia

     Aqui deu-se a terceira suavização do percurso. Cortámos aquela que é, a meu ver, a parte mais bonita e interessante da volta original e que consiste num pedregoso, e nalgumas partes sinuoso, caminho, feito a uma cota mais baixa, por meio da típica vegetação mediterrânica, e com uma vista espectacular para as falésias e para o cabo.

     Até ao farol do Cabo Espichel foram cerca de 8 km de condução rápida e divertida, feitos em “talega”, com o vento pelas costas e a contornar constantemente pedras e poças de lama, sempre a grande velocidade.

Chegada ao cabo

Farol do Cabo Espichel

Foto do "numeroso" grupo

O característico drop do cabo

Igreja de Nossa Senhora do Cabo

Santuário de Nossa Senhora da Pedra Mua (como também é conhecido)

     No cabo só nos demorámos o tempo necessário para tirar umas fotos. A ventania que se fazia sentir e o facto de não haver nenhuma roulote de bifanas à vista, não convidavam a grandes paragens.

     Normalmente a saída do cabo faz-se virando à esquerda, logo após o santuário, por um estradão que passa por trás da casa da água e que segue na direcção da Praia dos Lagosteiros. No entanto, dado que o objectivo era simplificar e esse caminho tem uma condução complicada (muitos regos, pedras e buracos manhosos), desta vez saímos a pedalar por estrada mais um bocado (quarta suavização), ao longo do aqueduto que servia o santuário, com vento forte de frente, até pouco antes da Azóia.

Casa da água, onde termina o aqueduto do Cabo Espichel. Ao longe as praias da Caparica.

     A partir daqui seguimos sempre por estradões, ora mais rijos, ora com mais areia, passando perto da Praia da Foz, da Aldeia do Meco e de Alfarim. Atravessámos as povoações de Aiana de Cima e da Carrasqueira, a seguir às quais, já perto da Herdade da Apostiça, se encontram duas grandes lagoas originadas pela extracção de areia.

Zona das lagoas, com a Serra da Arrábida ao fundo

     Após as lagoas, as coisas começaram a dar para o torto. Primeiro foi o Rui que, a pedido do fotógrafo, ao tentar uma passagem mais técnica, se atirou para o chão, felizmente sem gravidade. Depois foi o Jorge que, numa descida dum estradão extremamente rápido, teve uma queda bastante feia que o deixou um bocado mal tratado. Vinha colado atrás do Rui, a grande velocidade e não conseguiu evitar um dos inúmeros buracos cheios de água, criados pela passagem das viaturas.

Upsss...

Estas coisas ainda não se treinam nos rolos

     Com o Jorge abalado pela queda, lá continuámos devagar até à Aldeia de Irmãos, Aldeia Rica, Vila Nogueira de Azeitão, Quinta da Califórnia e Capela das Necessidades. Dadas as condições do acidentado, aqui optámos por voltar por estrada até à Quinta do Anjo, passando por Vendas de Azeitão.

Abastecimento de água...

...na magnífica fonte de Aldeia Rica

     Esta versão “soft” acabou por ter 87 km, feitos em 5h15’ de pedal (mais 17 minutos de paragem), a uma média de deslocamento de 16,5 km/hora. O acumulado de subidas foi de 1470m.

Vista do track gps no Google Earth

     Seguiu-se um almoço oferecido pela “organização”. O homem raramente tem pedalado, mas para se redimir, quando o visitamos, recebe-nos sempre bem. E até está numa forma bastante aceitável.

     De mais voltinhas destas é o que precisamos no novo ano que aí vem, sejam elas soft ou menos soft.

 

     PM

 

 

 

 

 


publicado por pedramarela às 18:57
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