Domingo, 27 de Fevereiro de 2011

À Conquista do Oeste VII - Montagraço - 9/Fev.

     Esta nossa deambulação pelo Oeste levou-nos desta vez a um dos pontos mais característicos e importantes das Linhas de Torres, mais propriamente à Serra do Olmeiro ou de Montagraço. Felizmente que não fomos rechaçados, como o foram as tropas francesas na sua terceira invasão do nosso território, em Outubro de 1810, e pudemos desfrutar calmamente da beleza e agrura destas serranias, onde por acaso já tínhamos estado em 2006, na Maratona de Sobral de Monte Agraço.

     Apesar de não termos sofrido oposição dos fortes e redutos das antigas linhas defensivas, a chuva que caiu forte durante toda a noite anterior acabou por nos condicionar um bocado os movimentos fora de estrada. O dia amanheceu encoberto e assim se manteve sempre, tendo mesmo chovido com alguma intensidade à nossa passagem por Vale de Lobos. É dura a vida de conquistador.

     Desta vez, combinámos apanhar o Nuno na Venda do Pinheiro, onde chegámos já molhados. Fomos sempre por estrada, de forma a evitar os lamaçais que se previam junto ao monte Rebolo. Assim, após Almargem, seguimos por Albogas, Santa Eulália, Santo Estevão das Galés e Avessada, ligando depois à Venda do Pinheiro pelo Rogel. Esta foi uma excelente ligação pois a estrada é calmíssima, sinuosa e muito bonita.

     Deixada para trás a confusão da Venda do Pinheiro, já com o trio reunido, como tínhamos planeado passámos sob a A8 e fomos até ao Milharado, a partir de onde nos dirigiríamos para o Sobral, ao qual contudo não chegámos a ir.

     E não fomos ao Sobral, porque os montes que se iam evidenciando do nosso lado direito despertavam mais a nossa atenção. Era a Serra de Montagraço, da qual, após a povoação do Casal Novo, fizemos uma primeira tentativa de subida que teve de ser abandonada devido à lama.

Às voltas com a lama.

Serra do Socorro aparecendo por entre as nuvens.

Pequena amostra daquilo com que se devem ter deparado as tropas francesas em 1810.

     Felizmente que, um pouco mais à frente, lá encontramos um estradão que nos permitiu subir até Vale de Vez, de onde descemos por estrada até aos Casais. Daqui fomos sempre subindo até perto da pista de Motocross de São Quintino, a partir da qual continuámos a subida até ao topo da serra. Esta longa subida, que corresponde aquele pico perto dos 45 km no gráfico de altimetria, foi feita toda fora de estrada, por terrenos bem inclinados, aos quais o tempo cinzento e ventoso ainda dava um ar mais agreste. 

Perto da pista de motocrosse de S. Quintino.

     Passámos primeiro pelo Moinho da Serra, aos 410 metros de altitude, até chegarmos finalmente ao marco geodésico de Alqueidão, situado mesmo em cima do forte com o mesmo nome, aos 442 metros de altitude e de onde se tinha uma magnífica vista.

Calçada no meio da serra.

Moinho da Serra.

Vistas a partir do Moinho da Serra.

Forte do Machado.

Continuando a subir.

Chegada ao topo.

Forte e Marco Geodésico de Alqueidão.

Reduto do Forte Grande e vista para o lado de Sobral.

Tropas em parada.

Marco geodésico de Alqueidão. 442m de altitude.

Gravuras com as localizações dos fortes limitrofes.

Paiol.

     No Forte Grande ou do Alqueidão situava-se o posto de comando das Linhas de Torres, pois era o ponto de cota mais alta de todo o sistema defensivo. Possuía um dos postos de sinais da primeira linha que, com uma extensão de 46 quilómetros, ligava a margem do rio Tejo, em Alhandra, à foz do Sisandro, em Torres Vedras, passando por Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço. Era apoiado pelos seus fortes subsidiários – Forte do Trinta, do Simplício e do Machado, que lhe protegiam os flancos, constituindo um conjunto denominado Fortes do Alqueidão.

     Estes fortes foram recentemente alvo de uma campanha de prospecção arqueológica, promovida pela Câmara Municipal de Sobral de Monte Agraço, no âmbito do "Projecto Intermunicipal da Rota Histórica das Linhas de Torres".

Gravura representativa das 3 Linhas de Torres (ainda falta a 4ª em Almada). In www.cm-sobral.pt

 Reconstituição de um posto de sinais das Linhas de Torres. In www.cm-sobral.pt

     Feita a visita aos vestígios arqueológicos e contempladas as vistas, estava na hora de regressar. Descemos inicialmente por um single, que deveria ser empolgante com tempo seco, mas que, molhado como estava, foi mais para o deslizante. Continuámos a descer por estradão até São Quintino, após o qual nos metemos a inventar por um lamaçal onde quase deixei de ver a bicicleta. À conta dessa brincadeira, vim o caminho todo de volta com os roletes do desviador aos saltos e quando cheguei a casa tive de andar a “esculpir” a bike com uma chave de fendas, para lhe retirar os matacões de lama solidificada que se tinham acumulado no quadro.

Descendo a Serra de Montagraço.

Nova passagem por S. Quintino.

Parque eólico perto de S. Quintino.

     Já novamente em estrada, voltámos a passar no Milharado, de onde saímos por um caminho diferente que passava pela Póvoa da Galega, Vale de São Gião e Montachique. Aqui despedimo-nos do Nuno, seguindo eu e o Jorge para Lousa.

Triciclo motorizado em Lousa.

     Saímos de Lousa junto ao cemitério, por uma longa subida (cerca de 4 quilómetros), através de uma magnífica estrada que segue sempre aos esses por entre um denso arvoredo e que nos fez lembrar Sintra. Foi a versão asfalto do caminho que fizemos quando subimos ao Montemuro, vindos do Cabeço de Montachique. Esta estrada levou-nos até Montemuro e ao Rogel, de onde ligámos novamente a Santo Estevão das Galés e a Almargem.

Estrada que sobe de Lousa, em diracção a Montemuro.

      Regressámos por Aruil, Caneças, Carenque e Queluz. Nesta ultima localidade, para evitar o seu movimentado centro, junto ao Lido, metemos para dentro da chamada Quinta Nova da Rainha (antigo viveiro da Junta Autónoma das Estradas), indo sair em frente ao Palácio, no Bairro do Chinelo. Depois foi só passar a Matinha, Queluz de Baixo e estávamos em casa.

     Refira-se que todo o caminho da vinda foi feito com um vento chato de frente, que soprava moderado de SE.

     Mais uma excelente volta, apesar das condições meteorológicas algo adversas.

 

     Dados GPS:

  * Distância 104 Km;

  * V. Máx. 59,2 Km/h;

  * Tempo Desloc. 5h040';

  * Tempo Parado 16':46"';

  * Média Desloc. 18,2 Km/h;

  * Média Geral 17,4 Km/h;

  * Desnível Acomulado 1700 m;

  * Elevação Máxima 443 m (Alqueidão)

 

Volta de estrada!!!???

Imagem do Track GPS no Google Earth.

Gráfico de altimetria no Map Source.

 

     PM

 


publicado por pedramarela às 18:12
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