Sábado, 17 de Abril de 2010

Raid FPCUB - Troia - Vila do Bispo 17/18 Abril

 
Estou de volta e com mais 255km nas pernas, pouco mais de 3000m de acumulado e com a pele bem hidratada de H2O
Este ano era para ter feito o Serpa 160, mas como não consegui ter o dia de véspera de férias, alterei os planos e fui para o Raid FPCUB.
Assim, como a partida era de Tróia (perto de casa) sempre consegui dormir umas estonteantes 3h, se tivesse ido a Serpa tinha que fazer directa, o que
seria impensável tento em conta o esforço que 160km exigiam, tendo por isso desistido.

Este Raid já fazia parte dos meus planos desde 2008, mas ainda não se tinha proporcionado e por isso só este ano é que alinhei - Obrigado ao Nuno punk por ter aceite o desafio, noutro ano não fui por não ter conseguido parceiro, ele convidou o Bruno Malheiro (um purista de travessias em autonomia e adepto de eventos 24h, onde participa na maior parte dos casos "a solo")

As previsões meteorológicas não abonavam a nosso favor...
Despertador às 5:30 cumpriu a função e após tudo carregado sai de casa ainda de noite às 6:30 com luzes e na companhia de chuviscos, com 1 mochila de trekking com 70l de capacidade quase cheia às costas  (com o necessário para pernoitar em Odemira e roupa para os 2 dias), pensava para comigo "Grande sarilho em que me meti, com este tempo vai ser bonito".

Na baixa de Palmela os chuviscos passam a chuva forte e tive que recorrer ao impermeável, mais um pensamento "Ainda nem começou e já vou regado desta maneira".
Em Setúbal compro o bilhete do ferry às 7:05 e vejo logo o Nuno e o seu amigo Bruno Malheiro a apressarem-se para irem também comprar o bilhete.
7:30 entramos no barco e lá vamos nós para Troia.
Já em Troia, o pessoal da organização aguarda por nós (tendo pernoitado em Tróia), com o camião que iria transportar as bagagens à nossa espera.
Segue-se 1 briefing de 5min com alguns detalhes a reter e foi dado ok para partir.

O briefing

 

Dia 1
140km raid + 15km de casa a Setubal / Chuva cerca de 2-3h em aguaceiros (irrantantes, pois foi um constante tira-mete impermeavel)/ Vento sempre de Sul, piso algo pastoso.
Passagem pela Serra de Grandola (excelentes trilhos), Santiago do Cacém, Serra do Cercal pelo lado poente, Sonega (onde comemos 2 bifanas e coca-cola) e Odemira com 140km e 1600m acumulado.

 

A caminho da serra de Grandola
Ainda estavamos a ter sorte com tempo

Nuno e Bruno

Já na Serra de Grandola

Começa uma das subidas dos 2 barrancos


O Alentejo está muito bonito, mas infelizmente não demorou 5min até cair 1chuvada de picaretas num descampado

 
Pernoita no pavilhão desportivo, a ouvir a chuva (picaretas) a testarem a resistência do telhado do pavilhão.
Pensava para comigo "amanhã vai ser bonito vai..."
O pavilhão

Dia 2
Alvorada  às 6:45
Partida às 08:00 do centro de Odemira (onde foi feito o briefing) incrivelmente ainda não estava a chuver, mas não tardou...
1ªs sensações do 2º dia:
Corpo ainda algo "amassado".
Começo relativamente bem com uma pulsação estável e sem grande esforço até que ao fim de uns 40min começa o primeiro aguaceiro/dilúvio/picaretas de água gelada, que me faz desanimar por completo...

Tinha optado por levar as meias sealskin e as capas impermeáveis dos sapatos, mas nada funcionou e pelo contrário, ainda prejudicaram e bem!
A água entrou para dentro das meias e nunca mais saiu, água gelada nos pés e sem hipótese de secar, pois o escasso sol não passava pelas capas...
Resultado pés gelados várias horas...

Posição para estar sentado já era difícil de encontrar, e cerca do km40 o piso torna-se muito pastoso e a chuva volta à carga, desanimado ao "quadrado".
Enquanto eu espero que o Nuno coloque e aperte o impermeável (estava difícil) o Bruno tinha seguido com 2 amigos de outra equipa para não ficar à espera parado, à chuva, nunca o conseguimos apanhar até ao fim.
Pelo caminho vê-se pessoal do cicloturismo a ser recolhido por carrinhas. Passeio que se realizou em paralelo ao Raid da FPCUB.

Começo a dizer ao Nuno que não estou nada confiante que naquelas condições vá fazer mais 70km, mas ele lá me vai convencendo e vamos seguindo, levando com a chuva e vento de frente... Lembro-me de olhar 20x para o conta-km e não havia maneira de chegar aos 50km "que desespero".

Até aos 50km foi sempre a sofrer em terreno super-pastoso, lama, areia, mas calado lá vou sofrendo... A pulsação não passava das 130-135 quando normalmente costumo andar acima das 160. A "máquina" não estava a reagir...
Atravessamos Odeceixe e na subida ingreme final furo o pneu de trás com 1 vidro fininho que se espetou no pneu. Troco a camara-de-ar e lá seguimos para Maria-Vinagre e Rogil.

Em Rogil estávamos novamente a passar a estrada vicentina principal para o Algarve e mais uma vez a tentação de me fazer à meta pelo alcatrão era grande, novamente o Nuno convenceu-me a seguir.
Lá seguimos pelo track, que por sorte era por alcatrão até Aljezur, mas por uma estrada secundária.

Em Aljezur com 60km percorridos, parámos num café e comemos 1 bifana e 1 cola cada 1, eu bebo 1 café o Nuno não.
A saída de Aljezur faz-se através de uma subida em calçada até ao castelo, acompanhada de chuva (para não variar), escorregadia e íngreme, mas fez-se!
No cimo começo a sentir-me melhor e a "máquina" começa a reagir, as pulsações já subiam até aos 160 e sentia-me com força nas pernas.
O Nuno teve um pequeno problema mecânico (partiu 1 dente do prato do meio da pedaleira) que o obrigou a fazer o restante percurso apenas com o prato pequeno e grande.

Eu cada vez a sentir-me melhor começo a puxar e vejo que o Nuno não está a corresponder ao meu ritmo vou abrandando para ele juntar.
O animo está de volta! Voltei a ter força e tudo o que era subidas conseguia pedalar em pé a puxar (a cafeína do café fez milagres). Já estava finalmente com vontade de cumprir o track à risca até ao final.
Pelo km70 encontra-nos 4 bttistas, que representavam o F.C. Quintajense (da minha zona), tinham no total 3 GPS, mas carregaram mal o track e não conseguiam ver o restante percurso.
Ofereci-me para os guiar no resto do caminho, apesar de notar que eles estavam a andar num ritmo mais lento do que eu estava a querer impor.
O Nuno aceitou de bom grado manter o ritmo mais lento, pois também já estava em gestão de esforço.
Fizemos ainda 2 subidas puxadas até ao final e numa delas, já no topo fui picado  por 1 abelha no queixo (numa zona em que vários participantes também foram apanhados pelo enxame) fez-me lembrar o episódio da Via-Algarviana.
Na descida para a Praia do Amado, havia um troço com 300m de lama barrenta, que se agarrava completamente à bicicleta.

RV Praia do Amado

 

No final da súbida da Praia do Amado



Pessoal do Quintajense

Nuno - punk a terminar a uma das ultimas súbidas do dia

A 5km do fim novamente chuva para terminar bem "regado".
Já se via o fim para breve :) e também a nuvem que nos deu a ultima "rega"

Em vila do Bispo, com a chuva só me lembrei de tirar 1 foto do Autocarro e saiu assim com um estilo Van Gogh :)


De salientar que o pessoal que vai para este Raid, que não é controlado com marcações, por incrível que pareça quase ninguém atalhou, apesar das adversidades.
É um desafio pessoal e todos queriam chegar ao fim de consciência tranquila, sem "batotas",  e com sentido de dever cumprido!
Houve alguns que só fizeram 1 dia, outros metade do percurso, etc... mas a grande maioria fez todo o percurso "by-the-book".

As paisagens foram interessantes, especialmente na zona da serra de Grândola, Zambujeira do Mar, Odeceixe, Aljezur, Carrapateira e Praia do Amado, de resto o percurso não foi tão interessante como tinha previsto, talvez a chuva me tivesse feito ir muito tempo com a cabeça baixa e falhado alguns locais bonitos.
Não deixa de ser espectacular num País que cada vez mais está vedado e urbanizado, ser possível fazer uma travessia de Palmela a Vila do Bispo de bicicleta maioritáriamente por trilhos.
Possivelmente irei repetir, mas só com previsões Meteo mais promissoras :)
 

 

Parabéns à organização, que nos colocou ao dispor toda a logística e pessoal necessários para um evento desta categoria!
Enorme simpatia dos membros da organização! Pessoal do mais porreiro que tenho visto e com competências mais que provadas nestas lides.


P.S. Volto a afirmar que é preferível andar 1 semana seguida no verão com 40º que 2 dias à chuva e vento!!!
 
Até uma próxima,
RV


publicado por pedramarela às 11:14
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Terça-feira, 13 de Abril de 2010

11 de Abril, Sintra

PedrAmarela - Sintra from miguelromão on Vimeo.

 

O vídeo do dia das quedas... (uma delas ficou gravada!)


publicado por pedramarela às 14:37
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Quinta-feira, 8 de Abril de 2010

PedrAmarela na Rota das Aldeias Históricas Parte III

Domingo – Uma Espécie de “Rota do Contrabando”

Penha Garcia/Vale Feitoso/Penha Garcia

45 Km/1150 m de desnível acumulado

   Para o segundo dia estava prevista uma volta menor, circular (mais propriamente em oito), com partida e chegada a Penha Garcia e com passagem pela Herdade de Vale Feitoso. Andaríamos nos terrenos mais acidentados e mais arborizados das cristas onde se situa Penha Garcia e rumaríamos mais para Norte e para Leste, em direcção a Espanha.

   A Herdade de Vale Feitoso, que ao que parece é a segunda maior em território nacional, possui uma área de cerca de 7000 hectares, totalmente cercados, onde se podem observar veados, javalis, gamos, muflões, perdizes, coelhos, lebres, etc. É propriedade particular e necessitávamos de autorização para aí entrar, tendo o JC previamente estabelecido contactos nesse sentido.

   No entanto, na véspera, houve uma alteração de planos. Já não entraríamos na herdade e seriamos guiados por um bttista local, o Bruno Antunes, do qual o Jorge arranjou o contacto e que se disponibilizou para nos acompanhar.

   E assim foi, com um ligeiro atraso em relação à hora combinada (8h30), lá estávamos nós à porta do quartel dos Bombeiros de Penha Garcia, onde nos aguardava o nosso guia. Houve mudança para o horário de verão na madrugada de Domingo e tínhamos dormido menos uma hora.

   

   Os quatro Pedras e o Bruno, frente ao quartel dos bombeiros

   Feitas as apresentações, arrancámos, em jeito de aquecimento, dirigindo-nos primeiro em direcção a Oeste, para trilhos mais planos.

    Primeiros trilhos, mais planos

    A água nos trilhos foi uma constante neste segundo dia

    Monsanto sempre a espreitar

    A Serra do Ramiro e Penha Garcia, onde terminariamos a volta

   Poucos quilómetros depois, virámos novamente em direcção ao ponto de partida e as coisas começaram a aquecer, ao entrarmos em terrenos de serra, com algumas boas subidas, que nos levaram até junto da barragem de Penha Garcia.

    Vlad e RV às voltas com uma cancela

    Já nas subidas da serra

    Junto à barragem de Penha Garcia

    O cruzamento entre um caminho e uma ribeira

   Após a barragem, deu-se o único problema mecânico do fim-de-semana. A cassete da bike do Bruno desapertou-se e lá se teve de improvisar uma reparação de emergência. Estávamos agora numa zona mais plana, com algumas longas e fundas poças de água, às quais o nosso guia, ao contrário de nós, mais prudentes, se lançava sem a mínima hesitação.

 

    O unico problema mecânico do fim de semana. A cassete desapertada do Bruno

   Seguiu-se uma longa e rápida descida até Vale Feitoso. Para os lados de Espanha avistavam-se umas belas serranias, que nos deixaram com vontade de, futuramente, fazer umas incursões por essas bandas.

    Início da longa e rápida descida para Vale Feitoso

    Chegando a Vale Feitoso

    O que este homem gosta de água ...

   Um pouco mais à frente, um dos melhores momentos do dia. A visão da Serra da Estrela, bem ao longe, com os seus cumes cobertos de neve.

    Ao longe a Serra da Estrela com os seus cumes cobertos de neve

   Às tantas, enquanto pedalávamos acompanhando as cristas montanhosas que se desenvolviam do nosso lado esquerdo, começámos a tentar perceber qual seria o caminho de volta. O nosso guia lá nos explicou que teríamos de subir aquela treta toda, em direcção a um marco geodésico branco que se via lá no alto (MG do Campo Frio), ou então dar uma grande volta até Salvador, contornando o monte todo. O problema é que só víamos corta-fogos a subir a pique.

    O nosso guia ria-se do que nos tinha reservado

   Escolhido o caminho para atacar o monte, começamos logo com uma rampa dificílima, longa, inclinada e com vários regos. Esta, ainda fiz sempre montado (de pé), mas já me iam saindo os bofes pela boca.

    Esta já doeu, mas ainda se fazia

   Quando estávamos a recuperar do esforço e a pensar que o pior já passara, levamos com um autêntico balde de água fria. Uma sucessão de rampas que nunca mais acabava, cada uma pior do que a outra, inclinadíssimas, através duns eucaliptais recém plantados, com piso de pedra solta e que nos levariam acima dos 700 m de altitude. Ainda tentámos subir a pedalar, mas cedo percebemos que não valia a pena insistir. Valeu-nos a beleza da paisagem e uns momentos para dedicar à fotografia.

    O raio da subida não há de ser mais teimosa do que eu, pensava o JC

    Vlad prestes a pedir o livro de reclamações

   Depois venham cá falar da Pedra Amarela e do Monge...

    Isto no ginásio costuma ser mais fácil...

    Que a gente viesse, tudo bem, agora era preciso trazer as bikes?

   Esta parte do percurso tinha tudo o que uma SS dispensa: subida longa, muito inclinada e com falta de tracção. Mas diga-se em abono da verdade que não vi grande diferença para as MS. Apesar do JC, que no seu habitual estilo “Caterpillar” quase conseguia subir tudo, todos empurrámos ou carregámos as bikes às costas serra acima.

   Um gajo prepara-se para o BTT e depois sai-me um passeio pedestre ...

   Aquelas serras para o lado de Espanha parecem interessantes, diz o RV

   Chegados ao topo, seguimos pelo alto da Serra do Ramiro, ora descendo, ora subindo, até voltarmos à barragem. Foi uma parte espectacular, já com um ambiente de montanha e com umas belas vistas para a sempre presente Monsanto. Seguiu-se um “Down-Town” através das ruelas e calçadas de Penha Garcia.

    Passagem final pela barragem

    Penha Garcia "Down-Town"

    Pelourinho

    Ultima calçada do dia

    Banhos tomados a correr e ala que se faz tarde para o restaurante “O Albertino”, mesmo à entrada da povoação, onde almoçámos na companhia do Bruno. O repasto fez-se à volta duns bifes de veado, duma chanfana e duns secretos de porco preto. Tal era a larica, que um de nós ainda comeu duas sobremesas.

   Após o almoço, antes de fazermos as malas e retornarmos a casa, fomos ver um dos ex-libris de Penha Garcia, o seu tanque de guerra, que ainda ninguém me soube explicar o que raio é que está ali a fazer. Passámos também pelo museu, para observar alguns exemplares de fósseis de Trilobites e recolher alguns prospectos alusivos às pequenas rotas do concelho de Idanha-a-Nova. Infelizmente, já não tivemos pachorra para subir ao castelo e às escarpas quartzíticas  e xistosas que ficam abaixo do paredão da barragem, para presenciar os inúmeros fósseis que aí se encontram, bem como os moinhos de água recuperados, ao longo do rio Ponsul.

    Em frente, rumo ao próximo passeio

   Excelente fim-de-semana de BTT. Sem dúvida a repetir.

   Um agradecimento muito especial ao JC por ter sido um organizador e anfitrião cinco estrelas, ao Daniel Santos por nos ter ajudado com os transportes e ao Bruno Antunes por nos ter aturado, feito companhia e guiado no segundo dia.

 

   PM


publicado por pedramarela às 19:10
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Domingo, 4 de Abril de 2010

PedrAmarela na Rota das Aldeias Históricas Parte II

Sábado – “Rota da Idanha” (GR 12 – E7)

Idanha-a-Nova/Termas de Monfortinho

75 km/1500 m de desnível acumulado

    

  

   Após um pequeno-almoço fornecido pelo JC, confeccionado com géneros levados de casa, aos quais se juntou o pão local comprado no dia (o homem estraga-nos com mimos), começámos a preparar a logística para o primeiro dia. O facto do ponto de partida e de chegada não serem coincidentes (percurso em linha), obrigou-nos a uma operação algo aparatosa.

   Assim, o RV e o Vlad, arrancaram logo com o seu carro para o local de partida - Idanha-a-Nova. Enquanto isso, eu e o JC, no outro carro, juntamente com um amigo local do Jorge, o Daniel Santos, seguimos para o local de chegada – Termas de Monfortinho. Aí deixámos o carro do Daniel e dirigimo-nos os três, no carro do JC, para Idanha. O Daniel voltaria depois às termas no carro do JC, que aí deixaria, recuperaria o seu carro e iria à sua vida. No final da volta, regressariamos os quatro a Penha Garcia no carro do JC. Quando fossemos jantar, passaríamos por Idanha para recuperar o carro do RV. Confusos? Confesso que inicialmente também fiquei.

   Com todas estas voltas preparatórias, já passava das 9h30 quando começámos a pedalar. Mas não havia pressas. A volta era turística e tínhamos o dia todo por nossa conta. O tempo, primaveril, esteve óptimo para pedalar e assim se manteve todo o fim-de-semana.

 

   PM, Vlad, RV e JC, frente à C.M. de Idanha-a-Nova, prontos para arrancar

   Arrancámos de Idanha pelos caminhos que tínhamos feito em 2008 na Maratona, mas rapidamente começámos a entrar em trilhos diferentes. Estes tinham tanto de bonito como de difícil, com calçada molhada a descer entre muros de pedra, a alternar com boas rampas a subir.

   Aproximação ao paredão da Barragem Marechal Carmona

 

     Barragem Marechal Carmona

   Chegámos à Barragem Marechal Carmona por um trilho que termina abaixo do paredão da mesma. Esta estava completamente cheia e a descarregar. O cenário era lindíssimo, com os campos envolventes todos verdes e cobertos de flores. Passámos junto do parque de campismo e seguimos até ao Santuário da Sra. do Almortão, relativamente ao qual vos deixo estes singelos versos do Cancioneiro Popular, que demonstram bem estarmos em plena região raiana.

 

Senhora do

Almortão

 

Minha tão

linda Arraiana

 

Voltai as costas

a Castela

 

Não queirais

ser Castelhana?

 

   Não se via vivalma. A calma era total. Aliás uma das coisas que nos surpreendeu ao longo destes dois dias foi a quase completa ausência da marca humana. Não se encontram pessoas fora das raras localidades. Nem um montesinho de entulho, nem um frigorífico, nem um pára-choques, tão usuais por outras paragens, nada. Só se vêm belas paisagens, campos floridos, ribeiras e linhas de água, passarada variada, uma ou outra lebre que passa a correr, umas vacas aqui, umas ovelhas acolá, algumas ruínas de antigas quintas e a presença constante de Monsanto no horizonte. A pedalada só é interrompida por alguma cancela que é necessário abrir e voltar a fechar, ou pelas fotos que vamos tirando.

   Alcafozes - Recinto da festa anual em devoção de N. Sra. do Loreto, padroeira da aviação

 

   Após Alcafozes, onde fomos humilhados por um puto com uma bike de supermercado, que levava outro puto à pendura sentado no quadro e que dava as curvas a derrapar sobre a calçada molhada, chegámos a Idanha-a-Velha, por onde entrámos cruzando a ponte romana de quatro vãos, sobre o rio Ponsul.

    Entrando em Idanha-a-Velha pela ponte romana de 4 vãos, sobre o rio Ponsul

   Idanha-a-Velha é daquelas pérolas incontornáveis do Portugal profundo. É uma pequena aldeia habitada por menos de vinte pessoas, de casario granítico e com um conjunto notável de ruínas de várias épocas. Antiga cidade romana do século I a.c. chamada Civitas Igaeditanorum, conheceu momentos de grande desenvolvimento no período visigótico, sob o nome de Egitânea. Aqui nos detivemos algum tempo, observando estes interessantes vestígios arqueológicos.

   Centro de Idanha-a-Velha em hora de ponta

   Confraternizando com alguns dos habitantes locais

   Miradouro Virtual. O antigo e o moderno convivem lado a lado

   Centro Epigráfico, onde estão expostas uma série de pedras gravadas

Pedra com inscrição referente a um tal Marco que se terá baldado a um passeio no séc. I a.c.

   Coisas resistentes: caixões de pedra e uma single-speed

   Torre dos Templários, assente no podium de um templo romano

    Vista a partir de Idanha-a-Velha

   A saída de Idanha-a-Velha não foi nada fácil. As pernas tinham arrefecido com a paragem e o terreno empinava um bocado. Apenas as paisagens, sempre agradáveis, atenuavam as dores.

   Campos floridos à saida de Idanha-a-Velha

   A partir daqui começamos a rumar a Monsanto, o nosso próximo objectivo. A ascensão a Monsanto é outro dos momentos altos desta volta. É feita por calçadas, por entre muros de pedra e sob vegetação de sobreiro, através da qual se vai vislumbrando a penedia que tínhamos de subir. O silêncio só era interrompido pelo ladrar de alguns cães à nossa passagem. A determinada altura, somos recordados que esta rota é pedestre. Temos de transpor umas penhas enormes com as bikes às costas, numa operação algo acrobática. Seguiu-se uma longa e difícil calçada (pela irregularidade das suas pedras), que nos obrigou a alternar o pedalar com o empurrar, até finalmente entrarmos na povoação. Rampa após rampa, lá subimos ao castelo, com uma curta paragem pelo meio, para o JC marcar o jantar no restaurante de um conhecido. É sempre bom visitar esta aldeia pitoresca que já foi considerada a mais portuguesa de Portugal. Não nos demorámos muito no alto, pois o vento estava fresco.

   Monsanto é já após a próxima rampa... 

    Vamos a isto!

   Está cada vez mais perto

    Vão-se tirando as medidas à subida final

    Alguns singles

    Começam as lajes...

   ...e os degraus

    Paisagem sempre espetacular

    Umas zonas mais cicláveis...

   ...outras, nem por isso

    A verdadeira calçada

    Finalmente entramos

    Mas continua a subir

   E segue

    Irrrraaa!!

    Vlad a repor as energias com uma sandes de iscas

   Conversando com as gentes da terra

    Descendo do Castelo

   A descida de Monsanto foi feita novamente por calçada, com vistas espectaculares para as bandas de Penha Garcia, para onde nos dirigimos, após passarmos no Santuário da Sra. da Azenha.

    Vista a partir da calçada que desce de Monsanto. Ao fundo avista-se Penha Garcia

    Descendo a calçada de Monsanto sem suspensão. AAARGH!!!

    Uma ponte de pedra

    Outra ponte mais moderna

    RV a puxar pela tracção dos 2.25

    Entrada em Penha Garcia

   O percurso entre Penha Garcia e Monfortinho foi bastante agradável. Sobe e desce constante, com o atravessamento de várias linhas de água, com passagem pelas Pedras Ninhas e pelos olivais da família Caiado.

    Penha Garcia em fundo

    Uma das muitas ruinas de pedra

    Sobe e desce até Monfortinho

 

   A caminho de Monfortinho, JC vai inspeccionando as propriedades agrícolas da família

   Chegados às termas, concluímos que seria difícil colocar os quatro bttistas e as respectivas montadas, num carro com dois suportes. Eu e o RV decidimos então voltar para Penha Garcia a pedalar por estrada, enquanto o JC e o Vlad regressavam de carro. Posso dizer que estes catorze quilómetros de estrada constituíram uma experiência singlespídica nova e muito interessante. É que onze deles foram a subir ligeiramente e nunca tinha pedalado durante tanto tempo seguido, sem qualquer interrupção, com a elevada rotação de pedais a que o 32x18 me obrigou. Grande treino de cadência.

   Banhos tomados, o nosso anfitrião, que nunca nos deixou faltar nada, brinda-nos com um lanchinho composto por pão, enchidos, queijo, batata frita e bebidas variadas.

   Completamente empaturrados, passámos por Idanha-a-Nova para resgatar o carro do RV e seguimos novamente para Monsanto, onde jantaríamos. O jantar decorreu no restaurante “Petiscos e Granitos”, que está construído no meio de umas enormes pedras graníticas. Enquanto assistíamos ao Benfica x Braga, ainda arranjámos espaço para aviar umas entradas de ovos verdes e de espargos, às quais se seguiram umas especialidades de porco preto e umas migas. Para sobremesa, papas de carolo e arroz doce. 

 

   PM


publicado por pedramarela às 23:51
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PedrAmarela na Rota das Aldeias Históricas Parte I

 

   No fim-de-semana de 27 e 28 de Março, alguns pedrAmarela (Jorge Caiado, Pedro Mateus, Rui Valente e Vlad) cumpriram mais uma bela jornada de BTT, desta vez em dose dupla, que teve como destino a Beira Baixa e algumas das suas aldeias históricas.

   Refira-se que já em Maio de 2008 eu e o JC por aqui tinhamos andado, quando participámos na Maratona Idanha/Zarza/Idanha. Nessa altura, na companhia do Francisco Morais (agora “desterrado” na Base da Lajes) e do Fernando Godinho (já só pedala nos anos bisextos).

   O convite para esta aventura partiu do JC, a cargo do qual esteve também a excelente organização da mesma. Sendo a sua família originária de Penha Garcia e tendo já trabalhado uns anos em Idanha-a-Nova, o Jorge é um profundo conhecedor da zona, o que se revelou importante para que tudo decorresse com “tranguilidade”.

   O grande entusiasmo inicial que esta proposta suscitou junto do pessoal e que fazia prever uma adesão massiva à mesma, foi gradualmente esfriando, até que restámos só quatro aventureiros. O resto da malta “roeu a corda”, sendo a justificação mais comum para a "deserção", o baixo nível de forma apresentado.

   Os objectivos para este tipo de incursões são de quatro ordens. A primeira é desportiva – puxar pelo cabedal a praticar BTT, em trilhos que saiam da rotina e levar um empeno à maneira. A segunda é recreativa – passar uns bons momentos na galhofa com os amigos. A terceira é cultural – conhecer as belas paisagens, aldeias e vilas da região. Finalmente, a quarta é gastronómica – visitar alguns dos restaurantes da zona.

   Do programa faziam parte duas voltinhas de BTT. No Sábado fariamos um percurso em linha, com cerca de 75 km e que dá pelo nome de “Rota da Idanha”. Esta corresponde ao troço mais interior da GR 12 – E7, percurso pedestre transeuropeu que se inicia na Torre Vasco da Gama, no Parque das Nações, em Lisboa, e que, depois de atravessar a Europa, termina na cidade romena de Constanza, nas costas do Mar Negro. A “Rota da Idanha” inicia-se em Idanha-a-Nova, passa pela barragem e pelo parque de campismo, segue pelo Santuário da Sra. do Almortão, Alcafozes e Idanha-a-Velha, sobe a Monsanto, desce ao Santuário da Sra. da Azenha, volta a subir a Penha Garcia, desce às Pedras Ninhas, passa por Monfortinho e termina nas Termas. Aqui a GR 12 atravessa o rio Erges, na ponte internacional, seguindo para a Extremadura Espanhola.

 

  

   Vista de Idanha-a-Velha     

 

   Para o Domingo estava prevista uma volta menor, com partida e chegada em Penha Garcia, passando pela Herdade do Vale Feitoso. Correspondia ao percurso de um passeio organizado por um clube local, com cerca de 50 km, denominado “Rota do Contrabando”.

 

 

   As cristas montanhosas de Penha Garcia, onde pedalámos no 2º dia

 

   A base de operações foi a vila de Penha Garcia, onde ficámos, mais uma vez, muito bem instalados na casa de família do JC, à porta da qual passa a GR 12.

   Eu e o JC arrancámos de casa sexta às 20h30. Estávamos a dormir que nem uns anjinhos, quando, lá para as 3h00 da matina, chegaram o RV e o Vlad que, por questões laborais, só puderam arrancar de casa às 24h00.

   A título de curiosidade, a bike que utilizei nesta jornada dupla, foi mais uma vez a SS. Não só porque a titânica estava na revisão (o Geo-Raid está aí à porta), mas, sobretudo, porque é a que mais gozo me dá pedalar nestas saídas mais calmas. E voltou a portar-se à altura dos acontecimentos, cumprindo mesmo, lá para as bandas de Monsanto, a bela marca dos 4000 km.

 

   PM


publicado por pedramarela às 00:08
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