Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

Fim de Semana em Penha Garcia

vídeo realizado pelo Miguel Romão

publicado por pedramarela às 01:12
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Quinta-feira, 10 de Junho de 2010

Uma GR22 solitária… de 17 a 23 de Maio.

Após alguns incentivos para fazer o relato desta minha aventura, aqui estou para contar a história desta grande rota que passa por algumas das aldeias beirãs e que é caracterizada pela sua beleza e dureza. Não vou repetir a lengalenga de sempre, que podemos encontrar em alguns relatos por essa net fora… blá, blá, que é uma experiencia única, blá, blá, que jamais vou esquecer aqueles trilhos, blá, blá, blá, blá, blá!! A GR22 é uma grande rota circular que passa por algumas das mais características aldeias portuguesas localizadas nas Beiras! Tudo o resto são adjectivos que ficam aquém do que se vivencia.

 

Depois de muita pesquisa na net, depois de muitas horas no Google Earth, tinha todo o esquema da viagem delineado, os sítios onde pernoitar, as localidades onde hipoteticamente se podia almoçar e rezar para que as fontes de água fossem abundantes.

 

Desde algum tempo que tinha em mente fazer este percurso sozinho. Claro que ir sozinho requer certos cuidados acrescidos que foram sempre contabilizados com muita precaução.

 

Posto isto, vamos ao que interessa. Decidi fazer a viagem de carro até Castelo Novo, ponto de partida, no mesmo dia em que iniciei a primeira etapa. Depois de dormir cinco horas, a alvorada foi às 6h da manhã e a partida de casa às 6h30. A chegada a Castelo Novo foi às 9h30. Na mochila levava uma muda de poupa, um par de chinelos, o estojo de higiene pessoal, ferramentas para qualquer eventualidade e água. Tudo o que é necessário sem ser demasiado pesada. Decidi, nesta primeira etapa, não ficar na aldeia de Monsanto mas sim em Penamacor. Foram 92km que no final foram bem difíceis, as cinco horas de sono e a viagem de carro não ajudaram. Tomei esta decisão porque foi-me mais fácil encontrar onde dormir em Penamacor.

 

Saída de Castelo Novo.

 

A partida de Castelo Novo foi às 10h, e a primeira peripécia assinalável desta viagem foi o quase atropelamento de um velhote que ia atravessar a rua de uma pequena localidade. Ia eu a tentar ver o track no GPS quando sinto um vulto do lado direito, tento desviar-me mas o velhote ainda levou com o camelbak nos queixos. Resultado, o velhote a mandar vir e eu a pedir desculpa pelo atropelamento. 

 

Um dos muitos riachos que se atravessam no nosso caminho.

 

Esta primeira etapa fez-me lembrar um pouco o Alentejo, um sobe e desce constante que não é muito acentuado mas que vai fazendo mossa com os km. O almoço foi em Idanha-a-Velha, duas sandes manhosas, batatas fritas e o grande erro, duas minis pretas. Almoço engolido, e assim que começo a pedalar em direcção a Monsanto sinto uma soneira que mais parecia uma bebedeira. Bom… lá fui, mas antes de chegar a Monsanto aproveitei a sombra de um chaparro para dormir uma pequena sesta. Só acordei com a mordida de um bicho.

 

 

Ao chegar a Monsanto a calçada romana é um clássico que fiz maioritariamente a pé. Eram cerca das 17h e ainda tinha que ir para Penamacor, mais 20km. Uma pequena pausa para beber uma bebida fresca e seguir novamente viagem. Cheguei a Penamacor às 19h, muito cansado mas com o conforto de saber que a segunda etapa iria ser mais curta.

 

Na segunda etapa, Penamacor – Sabugal com passagem por Sortelha, tive o primeiro susto desta aventura. Comecei a pedalar às 10h, e na passagem da barragem de Meimoa tive o único percalço mecânico de toda a viagem, um pequeno furo que foi prontamente solucionado.

 

 

Com a serra da Malcata como pano de fundo, cheguei a Meimão onde almocei uma sopa e uma sandes de presunto.

 

 

Retomada a marcha, a grande subida para chegar a Sortelha começou devagar sobre um sol escaldante. A meio da subida começo a ver um rebanho de cabras e um grande Serra da Estrela ao longe. Parei e esperei que o pastor se aproximasse. Quando voltei a pedalar, o cão deu por mim, e mais outros três, dois deles Serra da Estrela. Saí da bicicleta, os cães rodearam-me, e quase que ficava ali entregue às feras. O pastor veio a correr, segurou as duas feras Serra da Estrela, e eu segui caminho. Enfim, um grande susto que não iria ser o único. Cheguei a Sortelha às 15h30 e aproveitei para visitar a aldeia. Retomei caminho e fui dormir ao Sabugal. No final contabilizei 68km.

 

Paisagem antes de chegar a Sortelha.

 

Sortelha.

 

Dentro das muralhas.

 

No terceiro dia, Sabugal – Almeida, tinha que atravessar o rio Côa que quase de certeza estava intransponível. Esta etapa é caracterizada por ser a mais longa e a mais rolante. Antes de chegar a Alfaiates, aproveitei uma sombra perto de um pequeno riacho para passar novamente pelas brasas.

 

 

O almoço foi na povoação de Rebolosa. Comi uma chanfana, um prato muito típico da zona. Ao chegar à zona que atravessa o rio Côa, ainda pensei que poderia ser possível, com alguma sorte e perícia, atravessá-lo. Fiz a grande descida até ao ponto de passagem que tem parte de uma ponte romana e claro, o rio estava demasiado agitado para arriscar.

 

Antes de chegar ao rio Côa.

 

A ponte que atravessa parte do rio Côa.

 

Voltei para trás, apanhei a estrada de alcatrão em direcção a Castelo Bom, e voltei a descer para passar o rio pela ponte que fica próxima. Outra vez a subir e volto a meter-me num dos caminhos que, de certeza, iam ter ao outro lado do rio onde passa o track. Assim fiz, e com algumas correcções cheguei à outra margem. Com tudo isto, foi mais uma hora e alguns km em cima da bicicleta.

 

Na outra margem do rio.

 

Já na outra margem aproximava-se a subida para Castelo Mendo, mais uma das aldeias históricas. Mais uma pausa para beber qualquer coisa fresca e seguir para a resto que faltava. Para terminar esta etapa, a cereja em cima do bolo foi a longa subida até Almeida. Dura e interminável. No fim, foram 103km.

 

Na quarta etapa, entre Almeida e Marialva, fui mais uma vez atacado por cães. Saí de Almeida às 9h e segui em direcção a Castelo Rodrigo. Até Castelo Rodrigo a etapa é relativamente rolante, apenas tive que descalçar os sapatos uma vez para atravessar mais um riacho.

 

 

Aqui tive que descalçar o sapatinho.

 

Aproveitei a proximidade de Figueira de Castelo Rodrigo para almoçar no restaurante “A Cerca”. Retomada a marcha, havia que começar a subir para a aldeia de Castelo Rodrigo. Com a barriga cheia e o calor da hora do almoço, a subida foi feita com muita calma e muitas paragens para contemplar a paisagem.

 

 

Depois de Castelo Rodrigo seguiu-se a longa descida até a pequena ponte que atravessa o rio Côa, para de seguida subir, e subir. Num dos riachos onde passa a rota, estava eu já na outra margem quando sou surpreendido por mais uns quantos cães a tentar ferrar-me o dente, a minha sorte é que não eram muito grandes. Um pouco mais à frente encontro o pastor sentado a comer uma bucha. Conversa puxa conversa e começo a reparar que o homem estava a comer um pedaço de pão com meia sardinha. Até aqui tudo normal. Detenho-me na sardinha e reparo que estava crua. O pastor ia comendo partes da sardinha para de seguida as vomitar. Só visto! Parecia que tinha voltado à época medieval. Segui caminho um pouco agoniado.

 

Antes do ataque canino.

 

A chegada a Marialva foi pouco tempo depois mas tinha, ainda, de fazer mais 9km para chegar a Mêda, onde ia pernoitar. Mais um dia com 90km nas pernas.

 

Dia cinco, Marialva – Linhares da Beira. Saída de Mêda sempre a descer para voltar a passar por Marialva e retomar o track que me levaria até Linhares.

 

Marialva.

 

Neste dia tive mais um agradável encontro com dois Serra da Estrela. Um deles quase me comeu o pé direito. A minha sorte foi o cão não ter conseguido acompanhar o movimento que o pé faz ao pedalar. Após Marialva, o track passa por uma zona de sobe e desce constante passando perto de Trancoso. A meio da manhã chego ao cimo de um vale que tinha como pano de fundo a Serra da Estrela. Foi um dos momentos mais entusiasmantes desta viagem a longa descida que serpenteia a linha de água, que passa a riacho e vai desaguar no Mondego.

 

Vista a partir do Vale.

 

Este grande vale termina em Muxagata, onde almocei num restaurante que fica à saída da aldeia, depois de uma subida interminável de alcatrão. Pouco depois havia que atravessar o rio Mondego. Mais uma vez tive que dar uma volta considerável para fazer a travessia, e retomar o track na outra margem.

 

Mondego.

 

Seguiram-se as longas e sucessivas subidas até Linhares da Beira. Já na parte final ainda tinha pela frente a calçada romana, longa e muito técnica. No final contabilizei 97km.

 

 

A calçada romana que vai dar a Linhares,

 

Chegado a Linhares começou a novela do jantar. Depois do banho tomado, roupa lavada e posta a secar, fui tentar comer algo ao café da senhora “não sei das quantas”. Dei com o nariz na porta e tive que esperar que alguém aparecesse. Entretanto chegou a senhora e nada para comer, nem sopa, nem sandes, nada. Com alguma insistência lá consegui duas carcaças congeladas e algumas fatias de queijo e presunto para levar. Acabei por levar também alguns croissants e uma garrafa de gasosa para jantar. Tive que combinar com a senhora a hora do pequeno-almoço do dia seguinte para abrir o café à hora combinada. Conclusão; Linhares da Beira é muito bonito mas é o fim do mundo!

 

Este era calminho...

 

Sexto dia, Linhares da Beira – Piódão, o dia das subidas intermináveis. Não contabilizei o acumulado desta etapa mas pelo que pesquisei há quem diga que tem cerca de 3500. Até que se percebe, há que atravessar a Serra da Estrela… Bom, depois do pequeno-almoço tomado, três sandes, dois sumos e um pacote de batatas fritas no camelbak, arranquei para a mais difícil etapa desta GR.

 

Linhares cada vez mais distante.

 

 

Só para terem uma ideia de como é a primeira parte desta etapa, estive sempre a subir desta a partida, às 9h, até às 12h30 quando cheguei à Santinha, um posto de vigia abandonado e um dos pontos mais elevados. Até lá chegar deu para pedalar um pouco à sombra pois o caminho passa por alguns pequenos bosques que proporcionam boas sombras e uma temperatura mais amena.

 

 

 

Chegado à Santinha a paisagem torna-se mais árida. Um sobe e desce pouco acentuado.

 

 

 

Poucos km depois encontro um café na barragem do Vale do Rossim. Deu para almoçar tranquilo e tomar café. Retomada a marcha, há que passar pela barragem do Lagoacho para apanhar, um pouco mais à frente, a estrada alcatroada que passa pela Lagoa Comprida. A seguir à Lagoa Comprida chegou um dos momentos mais velozes desta Grande Rota, a longa descida até Vide. O cruzamento indicava o Piódão e não havia que enganar, era sempre a descer.

 

 

 

A torre e o pastor.

 

Deve ter sido cerca de hora e meia, até fazia doer os dedos das mãos. Chegado a Vide, retomo as forças com mais uma sandes e uns minutos de descanso perto de uma fonte. O pior ainda estava por vir. A seguir a Vide há que subir toda a Serra do Açor. A subida começa relativamente bem até que chegamos a um ponto em que enfrentamos uma “parede” cheia de cascalho com uma inclinação e peras. Foi mais de uma hora a subir à mão. Aproveitei para contemplar a paisagem e gerir as forças para empurrar a bicicleta.

 

Serra do Açor.

 

O Piódão.

 

Até ao Piódão segue-se por um estradão que serpenteia a serra do Açor, sempre a descer. Para quem gosta de montanhas, esta etapa é a indicada para se deixar encantar com as vistas e desfrutar ao máximo a paisagem. Chegado ao Piódão com 82km, a sensação de estar num “buraco” no meio de serras, antevia para o último dia mais um dia de bastante sofrimento.

 

Último dia, Piódão – Castelo Novo, a sétima e derradeira etapa. Para mim, esta foi a etapa mais dura, não pelo acumular dos km durante os seis dias anteriores mas devido às características deste último troço. Para começar, nada como sair do Piódão com a agradável subida em alcatrão até encontrar o estradão à esquerda que nos leva até ao cimo da serra, para depois começar a descer, a descer, a descer e passar pela aldeia da Fornea.

 

A despedida do Piódão.

 

 

Voltar a subir, descer até Covanca, voltar a subir, voltar a descer, voltar a subir e descer, voltar a subir e descer até Meãs. Quase a chegar a Dornelas do Zêzere, ponto de paragem para o almoço, a descida pelo estradão é rapidíssima. Almoço no restaurante “Os amigos” para de seguida passar grande parte da tarde na subida interminável que vai dar ao parque eólico da Gardunha.

 

A longa subida até às eólicas.

 

O parque eólico da Gardunha.

 

A passagem pelas eólicas, para além de monótona, é um rompe-pernas constante com um piso muito irregular cheio de cascalho solto. Segue-se a vertiginosa descida até Partida.

 

 

A partir daqui o percurso é mais ou menos rolante, apenas existe uma subida digna de referência. Cheguei a Castelo Novo às 18h30 com mais 95km, e ainda tive que fazer o regresso a casa de carro.

 

A chegada a Castelo Novo

 

Talvez a parte que mais me custou desta aventura foi o retomar à vida normal da cidade. Quando se acorda e sabemos que temos pela frente um dia cheio de pedaladas, o prazer de sofrer em cima da bicicleta é proporcional à paisagem que vamos deslindando com o nosso olhar. A descoberta de novos horizontes é tão reconfortante que nos faz reflectir sobre outros horizontes que não apenas os visuais. Como em muitas coisas da vida, isto de andar de bicicleta tem muito que se lhe diga. Pode-se andar de rígida, de suspensão total, com mudanças, sem mudanças, acompanhado e, imagine-se, sozinho. Para os pobres de espírito que não vislubram estes outros horizontes, resta-lhes apenas os comentários idiotas como prémio de consolação.

 

Até uma próxima travessia…

 

RA


publicado por pedramarela às 00:15
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Quinta-feira, 8 de Abril de 2010

PedrAmarela na Rota das Aldeias Históricas Parte III

Domingo – Uma Espécie de “Rota do Contrabando”

Penha Garcia/Vale Feitoso/Penha Garcia

45 Km/1150 m de desnível acumulado

   Para o segundo dia estava prevista uma volta menor, circular (mais propriamente em oito), com partida e chegada a Penha Garcia e com passagem pela Herdade de Vale Feitoso. Andaríamos nos terrenos mais acidentados e mais arborizados das cristas onde se situa Penha Garcia e rumaríamos mais para Norte e para Leste, em direcção a Espanha.

   A Herdade de Vale Feitoso, que ao que parece é a segunda maior em território nacional, possui uma área de cerca de 7000 hectares, totalmente cercados, onde se podem observar veados, javalis, gamos, muflões, perdizes, coelhos, lebres, etc. É propriedade particular e necessitávamos de autorização para aí entrar, tendo o JC previamente estabelecido contactos nesse sentido.

   No entanto, na véspera, houve uma alteração de planos. Já não entraríamos na herdade e seriamos guiados por um bttista local, o Bruno Antunes, do qual o Jorge arranjou o contacto e que se disponibilizou para nos acompanhar.

   E assim foi, com um ligeiro atraso em relação à hora combinada (8h30), lá estávamos nós à porta do quartel dos Bombeiros de Penha Garcia, onde nos aguardava o nosso guia. Houve mudança para o horário de verão na madrugada de Domingo e tínhamos dormido menos uma hora.

   

   Os quatro Pedras e o Bruno, frente ao quartel dos bombeiros

   Feitas as apresentações, arrancámos, em jeito de aquecimento, dirigindo-nos primeiro em direcção a Oeste, para trilhos mais planos.

    Primeiros trilhos, mais planos

    A água nos trilhos foi uma constante neste segundo dia

    Monsanto sempre a espreitar

    A Serra do Ramiro e Penha Garcia, onde terminariamos a volta

   Poucos quilómetros depois, virámos novamente em direcção ao ponto de partida e as coisas começaram a aquecer, ao entrarmos em terrenos de serra, com algumas boas subidas, que nos levaram até junto da barragem de Penha Garcia.

    Vlad e RV às voltas com uma cancela

    Já nas subidas da serra

    Junto à barragem de Penha Garcia

    O cruzamento entre um caminho e uma ribeira

   Após a barragem, deu-se o único problema mecânico do fim-de-semana. A cassete da bike do Bruno desapertou-se e lá se teve de improvisar uma reparação de emergência. Estávamos agora numa zona mais plana, com algumas longas e fundas poças de água, às quais o nosso guia, ao contrário de nós, mais prudentes, se lançava sem a mínima hesitação.

 

    O unico problema mecânico do fim de semana. A cassete desapertada do Bruno

   Seguiu-se uma longa e rápida descida até Vale Feitoso. Para os lados de Espanha avistavam-se umas belas serranias, que nos deixaram com vontade de, futuramente, fazer umas incursões por essas bandas.

    Início da longa e rápida descida para Vale Feitoso

    Chegando a Vale Feitoso

    O que este homem gosta de água ...

   Um pouco mais à frente, um dos melhores momentos do dia. A visão da Serra da Estrela, bem ao longe, com os seus cumes cobertos de neve.

    Ao longe a Serra da Estrela com os seus cumes cobertos de neve

   Às tantas, enquanto pedalávamos acompanhando as cristas montanhosas que se desenvolviam do nosso lado esquerdo, começámos a tentar perceber qual seria o caminho de volta. O nosso guia lá nos explicou que teríamos de subir aquela treta toda, em direcção a um marco geodésico branco que se via lá no alto (MG do Campo Frio), ou então dar uma grande volta até Salvador, contornando o monte todo. O problema é que só víamos corta-fogos a subir a pique.

    O nosso guia ria-se do que nos tinha reservado

   Escolhido o caminho para atacar o monte, começamos logo com uma rampa dificílima, longa, inclinada e com vários regos. Esta, ainda fiz sempre montado (de pé), mas já me iam saindo os bofes pela boca.

    Esta já doeu, mas ainda se fazia

   Quando estávamos a recuperar do esforço e a pensar que o pior já passara, levamos com um autêntico balde de água fria. Uma sucessão de rampas que nunca mais acabava, cada uma pior do que a outra, inclinadíssimas, através duns eucaliptais recém plantados, com piso de pedra solta e que nos levariam acima dos 700 m de altitude. Ainda tentámos subir a pedalar, mas cedo percebemos que não valia a pena insistir. Valeu-nos a beleza da paisagem e uns momentos para dedicar à fotografia.

    O raio da subida não há de ser mais teimosa do que eu, pensava o JC

    Vlad prestes a pedir o livro de reclamações

   Depois venham cá falar da Pedra Amarela e do Monge...

    Isto no ginásio costuma ser mais fácil...

    Que a gente viesse, tudo bem, agora era preciso trazer as bikes?

   Esta parte do percurso tinha tudo o que uma SS dispensa: subida longa, muito inclinada e com falta de tracção. Mas diga-se em abono da verdade que não vi grande diferença para as MS. Apesar do JC, que no seu habitual estilo “Caterpillar” quase conseguia subir tudo, todos empurrámos ou carregámos as bikes às costas serra acima.

   Um gajo prepara-se para o BTT e depois sai-me um passeio pedestre ...

   Aquelas serras para o lado de Espanha parecem interessantes, diz o RV

   Chegados ao topo, seguimos pelo alto da Serra do Ramiro, ora descendo, ora subindo, até voltarmos à barragem. Foi uma parte espectacular, já com um ambiente de montanha e com umas belas vistas para a sempre presente Monsanto. Seguiu-se um “Down-Town” através das ruelas e calçadas de Penha Garcia.

    Passagem final pela barragem

    Penha Garcia "Down-Town"

    Pelourinho

    Ultima calçada do dia

    Banhos tomados a correr e ala que se faz tarde para o restaurante “O Albertino”, mesmo à entrada da povoação, onde almoçámos na companhia do Bruno. O repasto fez-se à volta duns bifes de veado, duma chanfana e duns secretos de porco preto. Tal era a larica, que um de nós ainda comeu duas sobremesas.

   Após o almoço, antes de fazermos as malas e retornarmos a casa, fomos ver um dos ex-libris de Penha Garcia, o seu tanque de guerra, que ainda ninguém me soube explicar o que raio é que está ali a fazer. Passámos também pelo museu, para observar alguns exemplares de fósseis de Trilobites e recolher alguns prospectos alusivos às pequenas rotas do concelho de Idanha-a-Nova. Infelizmente, já não tivemos pachorra para subir ao castelo e às escarpas quartzíticas  e xistosas que ficam abaixo do paredão da barragem, para presenciar os inúmeros fósseis que aí se encontram, bem como os moinhos de água recuperados, ao longo do rio Ponsul.

    Em frente, rumo ao próximo passeio

   Excelente fim-de-semana de BTT. Sem dúvida a repetir.

   Um agradecimento muito especial ao JC por ter sido um organizador e anfitrião cinco estrelas, ao Daniel Santos por nos ter ajudado com os transportes e ao Bruno Antunes por nos ter aturado, feito companhia e guiado no segundo dia.

 

   PM


publicado por pedramarela às 19:10
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Domingo, 4 de Abril de 2010

PedrAmarela na Rota das Aldeias Históricas Parte II

Sábado – “Rota da Idanha” (GR 12 – E7)

Idanha-a-Nova/Termas de Monfortinho

75 km/1500 m de desnível acumulado

    

  

   Após um pequeno-almoço fornecido pelo JC, confeccionado com géneros levados de casa, aos quais se juntou o pão local comprado no dia (o homem estraga-nos com mimos), começámos a preparar a logística para o primeiro dia. O facto do ponto de partida e de chegada não serem coincidentes (percurso em linha), obrigou-nos a uma operação algo aparatosa.

   Assim, o RV e o Vlad, arrancaram logo com o seu carro para o local de partida - Idanha-a-Nova. Enquanto isso, eu e o JC, no outro carro, juntamente com um amigo local do Jorge, o Daniel Santos, seguimos para o local de chegada – Termas de Monfortinho. Aí deixámos o carro do Daniel e dirigimo-nos os três, no carro do JC, para Idanha. O Daniel voltaria depois às termas no carro do JC, que aí deixaria, recuperaria o seu carro e iria à sua vida. No final da volta, regressariamos os quatro a Penha Garcia no carro do JC. Quando fossemos jantar, passaríamos por Idanha para recuperar o carro do RV. Confusos? Confesso que inicialmente também fiquei.

   Com todas estas voltas preparatórias, já passava das 9h30 quando começámos a pedalar. Mas não havia pressas. A volta era turística e tínhamos o dia todo por nossa conta. O tempo, primaveril, esteve óptimo para pedalar e assim se manteve todo o fim-de-semana.

 

   PM, Vlad, RV e JC, frente à C.M. de Idanha-a-Nova, prontos para arrancar

   Arrancámos de Idanha pelos caminhos que tínhamos feito em 2008 na Maratona, mas rapidamente começámos a entrar em trilhos diferentes. Estes tinham tanto de bonito como de difícil, com calçada molhada a descer entre muros de pedra, a alternar com boas rampas a subir.

   Aproximação ao paredão da Barragem Marechal Carmona

 

     Barragem Marechal Carmona

   Chegámos à Barragem Marechal Carmona por um trilho que termina abaixo do paredão da mesma. Esta estava completamente cheia e a descarregar. O cenário era lindíssimo, com os campos envolventes todos verdes e cobertos de flores. Passámos junto do parque de campismo e seguimos até ao Santuário da Sra. do Almortão, relativamente ao qual vos deixo estes singelos versos do Cancioneiro Popular, que demonstram bem estarmos em plena região raiana.

 

Senhora do

Almortão

 

Minha tão

linda Arraiana

 

Voltai as costas

a Castela

 

Não queirais

ser Castelhana?

 

   Não se via vivalma. A calma era total. Aliás uma das coisas que nos surpreendeu ao longo destes dois dias foi a quase completa ausência da marca humana. Não se encontram pessoas fora das raras localidades. Nem um montesinho de entulho, nem um frigorífico, nem um pára-choques, tão usuais por outras paragens, nada. Só se vêm belas paisagens, campos floridos, ribeiras e linhas de água, passarada variada, uma ou outra lebre que passa a correr, umas vacas aqui, umas ovelhas acolá, algumas ruínas de antigas quintas e a presença constante de Monsanto no horizonte. A pedalada só é interrompida por alguma cancela que é necessário abrir e voltar a fechar, ou pelas fotos que vamos tirando.

   Alcafozes - Recinto da festa anual em devoção de N. Sra. do Loreto, padroeira da aviação

 

   Após Alcafozes, onde fomos humilhados por um puto com uma bike de supermercado, que levava outro puto à pendura sentado no quadro e que dava as curvas a derrapar sobre a calçada molhada, chegámos a Idanha-a-Velha, por onde entrámos cruzando a ponte romana de quatro vãos, sobre o rio Ponsul.

    Entrando em Idanha-a-Velha pela ponte romana de 4 vãos, sobre o rio Ponsul

   Idanha-a-Velha é daquelas pérolas incontornáveis do Portugal profundo. É uma pequena aldeia habitada por menos de vinte pessoas, de casario granítico e com um conjunto notável de ruínas de várias épocas. Antiga cidade romana do século I a.c. chamada Civitas Igaeditanorum, conheceu momentos de grande desenvolvimento no período visigótico, sob o nome de Egitânea. Aqui nos detivemos algum tempo, observando estes interessantes vestígios arqueológicos.

   Centro de Idanha-a-Velha em hora de ponta

   Confraternizando com alguns dos habitantes locais

   Miradouro Virtual. O antigo e o moderno convivem lado a lado

   Centro Epigráfico, onde estão expostas uma série de pedras gravadas

Pedra com inscrição referente a um tal Marco que se terá baldado a um passeio no séc. I a.c.

   Coisas resistentes: caixões de pedra e uma single-speed

   Torre dos Templários, assente no podium de um templo romano

    Vista a partir de Idanha-a-Velha

   A saída de Idanha-a-Velha não foi nada fácil. As pernas tinham arrefecido com a paragem e o terreno empinava um bocado. Apenas as paisagens, sempre agradáveis, atenuavam as dores.

   Campos floridos à saida de Idanha-a-Velha

   A partir daqui começamos a rumar a Monsanto, o nosso próximo objectivo. A ascensão a Monsanto é outro dos momentos altos desta volta. É feita por calçadas, por entre muros de pedra e sob vegetação de sobreiro, através da qual se vai vislumbrando a penedia que tínhamos de subir. O silêncio só era interrompido pelo ladrar de alguns cães à nossa passagem. A determinada altura, somos recordados que esta rota é pedestre. Temos de transpor umas penhas enormes com as bikes às costas, numa operação algo acrobática. Seguiu-se uma longa e difícil calçada (pela irregularidade das suas pedras), que nos obrigou a alternar o pedalar com o empurrar, até finalmente entrarmos na povoação. Rampa após rampa, lá subimos ao castelo, com uma curta paragem pelo meio, para o JC marcar o jantar no restaurante de um conhecido. É sempre bom visitar esta aldeia pitoresca que já foi considerada a mais portuguesa de Portugal. Não nos demorámos muito no alto, pois o vento estava fresco.

   Monsanto é já após a próxima rampa... 

    Vamos a isto!

   Está cada vez mais perto

    Vão-se tirando as medidas à subida final

    Alguns singles

    Começam as lajes...

   ...e os degraus

    Paisagem sempre espetacular

    Umas zonas mais cicláveis...

   ...outras, nem por isso

    A verdadeira calçada

    Finalmente entramos

    Mas continua a subir

   E segue

    Irrrraaa!!

    Vlad a repor as energias com uma sandes de iscas

   Conversando com as gentes da terra

    Descendo do Castelo

   A descida de Monsanto foi feita novamente por calçada, com vistas espectaculares para as bandas de Penha Garcia, para onde nos dirigimos, após passarmos no Santuário da Sra. da Azenha.

    Vista a partir da calçada que desce de Monsanto. Ao fundo avista-se Penha Garcia

    Descendo a calçada de Monsanto sem suspensão. AAARGH!!!

    Uma ponte de pedra

    Outra ponte mais moderna

    RV a puxar pela tracção dos 2.25

    Entrada em Penha Garcia

   O percurso entre Penha Garcia e Monfortinho foi bastante agradável. Sobe e desce constante, com o atravessamento de várias linhas de água, com passagem pelas Pedras Ninhas e pelos olivais da família Caiado.

    Penha Garcia em fundo

    Uma das muitas ruinas de pedra

    Sobe e desce até Monfortinho

 

   A caminho de Monfortinho, JC vai inspeccionando as propriedades agrícolas da família

   Chegados às termas, concluímos que seria difícil colocar os quatro bttistas e as respectivas montadas, num carro com dois suportes. Eu e o RV decidimos então voltar para Penha Garcia a pedalar por estrada, enquanto o JC e o Vlad regressavam de carro. Posso dizer que estes catorze quilómetros de estrada constituíram uma experiência singlespídica nova e muito interessante. É que onze deles foram a subir ligeiramente e nunca tinha pedalado durante tanto tempo seguido, sem qualquer interrupção, com a elevada rotação de pedais a que o 32x18 me obrigou. Grande treino de cadência.

   Banhos tomados, o nosso anfitrião, que nunca nos deixou faltar nada, brinda-nos com um lanchinho composto por pão, enchidos, queijo, batata frita e bebidas variadas.

   Completamente empaturrados, passámos por Idanha-a-Nova para resgatar o carro do RV e seguimos novamente para Monsanto, onde jantaríamos. O jantar decorreu no restaurante “Petiscos e Granitos”, que está construído no meio de umas enormes pedras graníticas. Enquanto assistíamos ao Benfica x Braga, ainda arranjámos espaço para aviar umas entradas de ovos verdes e de espargos, às quais se seguiram umas especialidades de porco preto e umas migas. Para sobremesa, papas de carolo e arroz doce. 

 

   PM


publicado por pedramarela às 23:51
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PedrAmarela na Rota das Aldeias Históricas Parte I

 

   No fim-de-semana de 27 e 28 de Março, alguns pedrAmarela (Jorge Caiado, Pedro Mateus, Rui Valente e Vlad) cumpriram mais uma bela jornada de BTT, desta vez em dose dupla, que teve como destino a Beira Baixa e algumas das suas aldeias históricas.

   Refira-se que já em Maio de 2008 eu e o JC por aqui tinhamos andado, quando participámos na Maratona Idanha/Zarza/Idanha. Nessa altura, na companhia do Francisco Morais (agora “desterrado” na Base da Lajes) e do Fernando Godinho (já só pedala nos anos bisextos).

   O convite para esta aventura partiu do JC, a cargo do qual esteve também a excelente organização da mesma. Sendo a sua família originária de Penha Garcia e tendo já trabalhado uns anos em Idanha-a-Nova, o Jorge é um profundo conhecedor da zona, o que se revelou importante para que tudo decorresse com “tranguilidade”.

   O grande entusiasmo inicial que esta proposta suscitou junto do pessoal e que fazia prever uma adesão massiva à mesma, foi gradualmente esfriando, até que restámos só quatro aventureiros. O resto da malta “roeu a corda”, sendo a justificação mais comum para a "deserção", o baixo nível de forma apresentado.

   Os objectivos para este tipo de incursões são de quatro ordens. A primeira é desportiva – puxar pelo cabedal a praticar BTT, em trilhos que saiam da rotina e levar um empeno à maneira. A segunda é recreativa – passar uns bons momentos na galhofa com os amigos. A terceira é cultural – conhecer as belas paisagens, aldeias e vilas da região. Finalmente, a quarta é gastronómica – visitar alguns dos restaurantes da zona.

   Do programa faziam parte duas voltinhas de BTT. No Sábado fariamos um percurso em linha, com cerca de 75 km e que dá pelo nome de “Rota da Idanha”. Esta corresponde ao troço mais interior da GR 12 – E7, percurso pedestre transeuropeu que se inicia na Torre Vasco da Gama, no Parque das Nações, em Lisboa, e que, depois de atravessar a Europa, termina na cidade romena de Constanza, nas costas do Mar Negro. A “Rota da Idanha” inicia-se em Idanha-a-Nova, passa pela barragem e pelo parque de campismo, segue pelo Santuário da Sra. do Almortão, Alcafozes e Idanha-a-Velha, sobe a Monsanto, desce ao Santuário da Sra. da Azenha, volta a subir a Penha Garcia, desce às Pedras Ninhas, passa por Monfortinho e termina nas Termas. Aqui a GR 12 atravessa o rio Erges, na ponte internacional, seguindo para a Extremadura Espanhola.

 

  

   Vista de Idanha-a-Velha     

 

   Para o Domingo estava prevista uma volta menor, com partida e chegada em Penha Garcia, passando pela Herdade do Vale Feitoso. Correspondia ao percurso de um passeio organizado por um clube local, com cerca de 50 km, denominado “Rota do Contrabando”.

 

 

   As cristas montanhosas de Penha Garcia, onde pedalámos no 2º dia

 

   A base de operações foi a vila de Penha Garcia, onde ficámos, mais uma vez, muito bem instalados na casa de família do JC, à porta da qual passa a GR 12.

   Eu e o JC arrancámos de casa sexta às 20h30. Estávamos a dormir que nem uns anjinhos, quando, lá para as 3h00 da matina, chegaram o RV e o Vlad que, por questões laborais, só puderam arrancar de casa às 24h00.

   A título de curiosidade, a bike que utilizei nesta jornada dupla, foi mais uma vez a SS. Não só porque a titânica estava na revisão (o Geo-Raid está aí à porta), mas, sobretudo, porque é a que mais gozo me dá pedalar nestas saídas mais calmas. E voltou a portar-se à altura dos acontecimentos, cumprindo mesmo, lá para as bandas de Monsanto, a bela marca dos 4000 km.

 

   PM


publicado por pedramarela às 00:08
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